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Dante Filho: Debate inócuo aborrece eleitores e cria ilusão de disputa

 

Mesa de debates dos 8 candidatos a governador de MS de 2026


Assisti ontem (21/09) ao tradicional debate do Midiamax entre candidatos para o Governo do Estado na ponte aérea entre Florianópolis/Campo Grande. Não fosse uma obrigação de ofício ficaria torcendo para que o avião caísse (seria uma distração mais interessante) ao atravessar o rio Paraná;

Sempre bati nesta tecla: debate com mais de três aspirantes à governadoria é apenas uma tortura voluntária a que você é submetido o público por mais de três horas. Primeiro, pelas regras do certame, é impossível que qualquer tema relevante seja aprofundado e, com isso, revele as intenções e propostas dos candidatos. Impera assim o mundo fake.

Segundo, abre espaço inútil para candidatos folclóricos que se sabe de antemão que não têm a mais rematada chance de ser eleitos. Estes geralmente são terceirados para ajudar outros a desgastar quem pontua melhor nas pesquisas. Ou seja: o debate transforma-se em espetáculo deprimente para que alguém, do alto de sua burrice, declare que "estamos enaltecendo a democracia". Tudo uma solene mentira.

Gostaria de não ter que escrever isso, mas obrigo-me a ser petulante e dizer que além das bizarrices que somos obrigados a assistir, temos que nos deparar com personagens que exalam cinismo e mau-caratismo, pois sabemos que ele está ali apenas para transformar o inimigo da vez em saco de pancadas. Se está ganhando alguma coisa com isso, não posso dizer.

Vejam o caso do candidato Jõao Henrique Catan. Incrivelmente, ele devia ter o substantivo feminimo bílis no sobrenome. Ele exala mágoa. Atacava Eduardo Riedel sem propósito. Mais: ofendia familiares de secretários de estado sem conhecimento de causa; denunciava, falseava, vituperava, tudo isso sem dizer a que veio, parecendo um menino travesso a brincar no jardim de infância na sala dos adultos.

Sua performance não tinha nada de produtivo, mas animava sua torcida de fascistas, com aquela típica demagogia que faz a caricatura de Mussolini. Conheço Catan desde menino, quando seu avô Marcelo Miranda (já falecido) foi governador de Mato Grosso do Sul (de triste memória), deixando no seu rastro um caos administrativo jamais visto em nosso Estado.

Ás vezes acho que seu neto entrou na política para se vingar das inúmeras maledicências a que sua família foi por anos submetida, buscando terminar assim o serviço que o avô não conseguiu fazer.

Mas tem uma coisa aí que não entendo: Catan se diz um homem de direita, bolsonarista e anti-petista. Mas ele nunca explicou que "direita" ideologicamente é essa. Ele foi rechaçado pela família Bolsonaro. E ele não explica as razões pelas quais o engenheiro Marcelo Miranda Soares foi diretor do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrurura eTransporte) ocupando o cargo de direção do órgão em Mato Grosso do Sul por muitos anos no governo Lula, por obra e graça do deputado Vander Loubet. É muita contradição para um só personagem.

Voltando ao debate do Midiamax, notem a postura de peito de pombo de Fábio Trad, nosso professor de deus, pontificando sabedoria, distribuindo farpas, ironizando suas respostas às provocações alheias, fazendo o papel de nosso Flávio Dino sul-mato-grossense. Seu esforço para ser um homem de esquerda é fútil, fugaz e quase falso. Reconheço que ele fala bem, entabula bons raciocínios, mas no fundo é um Catan com verniz aristocrático. 

Fábio tem qualidades, mas nunca foi testado no poder Executivo, embora reconheça-se tenha sido um parlamentar dedicado e estudioso. O que ele está fazendo no PT, não sei, mas quem adivinha os mistérios dos homens? Na minha modesta opinião, Fabinho devia estar noutro campo. Ele acredita que está defendendo a democracia e fazendo uma barreira aos facistas do bolsonarismo. Só que tudo isso é bobagem. Ele me parece que desencontrou-se com seu contexto e agora vaga por aí enxergando fantasmas Nazi em todas as frestas de parede. Sei não...

O debate Midiamax tem seu valor educativo. Mostra o estágio em que se encontra nossa política: primitiva, oca, populista. Fiquei com pena do ex-senador Delcídio Amaral e do governador Eduardo Riedel, tendo que interagir com pessoas tecnicamente deficientes, intelectualmente débeis e equivocadas, ouvindo bobagens alarmantes, sendo obrigados a acreditar que nosso Estado seguirá em frente, sem cair nas mãos de figuras perigosamente temerárias, 

Pelo que vejo nas pesquisas, ainda acho que temos sorte...