Todo mundo está sabendo: vivemos nos tempos de fake news , dos boatos, dos tititis nas redes sociais, das notinhas cifradas na mídia- f...


Todo mundo está sabendo: vivemos nos tempos de fake news, dos boatos, dos tititis nas redes sociais, das notinhas cifradas na mídia- fenômenos que vieram para ficar desde que o mundo é o mundo.

Vivemos não somente a famosa Era da Incerteza, mas também a da Insegurança Pessoal, com a perda gradativa da sensação de privacidade. 

Bastam alguns segundos de distração e lá estamos nós postando bobagens, mandando mensagens pelo zap zap para pessoas erradas, mostrando nossas intimidades e nossos segredos, revelando nossas raivas, hipocrisias e intolerâncias. 

A mente é incerta e o dedo é bobo. Um dia, sem querer, replicamos mensagens sem saber do que se trata, outras, ficamos sabemos que um membro do governo postou por engano, num grupo oficial, sua verdade fálica para a apreciação Urbi et Orbi

Assim, às vezes somos printados com toda a inocência e nos tornamos vítimas dos inescrupulosos profissionais da fofoca. 

O assunto é sério. Mas faz parte da humanidade. E estimula a curiosidade dos especialistas. 

Abaixo, um trecho de um ensaio publicado na Revista Calibán do mês de maio, da psicanalista argentina Laura Palácios, que separei aos leitores:


“Filha da leviandade e do invento, a fofoca é a parente plebeia do segredo. O segredo exibe dignidade, prestígio. Está localizado em uma mansão de escadas atapetadas. Fechadura, portas e janelas à prova do indiscreto. Conhece intimamente a circunspeção. Anda de braços dados com a sobriedade e a história. Está ligado diretamente ao silêncio e a ética. Considera-se herdeiro da verdade e janta na casa do poder quase todas as noites. (...) Porque o segredo não é bobo. Pressente que nas sombras e sob o mandato de seu capricho primordial, o parente plebeu desfruta. E o prazer da fofoca é corroer a dignidade do segredo. Falar por suas costas, desonrá-lo, revisar seus arquivos, ler seus papéis íntimos. Fabricar diminutas chaves mestras para violar (valha a redundância) de seu secretaire, abrir a caixa forte e arrasar suas dispensas. E acima de tudo, divulgar, divulgar...espalhar o tesouro.”

Revista Calibán - (www.facebook.com/RevistaLatinoamericanadepsicoanalisis)

Posso viver sem pão, vendendo o almoço para comprar o jantar, mais destroçado do que bituca de cigarro em boca de bêbado, mas não consi...


Posso viver sem pão, vendendo o almoço para comprar o jantar, mais destroçado do que bituca de cigarro em boca de bêbado, mas não consigo viver sem liberdade, sem o circo humano que todas as manhãs descortina à minha frente e me diz que tenho o direito constitucional de ser louco à minha maneira. 

Claro que não preciso - e não devo, apesar de que escorrego vez em quando e sempre - escrever tudo que vem à minha cabeça, detonando aqueles que me contrariam, dando socos nos queixos dos desafetos, blasfemando contra os supostos canalhas, perseguindo os sicários das almas alheias, mas gosto de viver pensando que posso fazer tudo isso quando me der na telha. 

Nesse aspecto, sou um sujeito inadaptável. Meu senso de justiça é muito maior do que o realismo do meu bolso. Por isso, tenho sempre no gatilho uma frase que me persegue desde quando assisti (comovido) ao filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson: "morro na miséria, mas não vivo com medo". 

Assim, com altos e baixos, cheguei até aqui. Não foi fácil. Perdi muita coisa. Ganhei outras. Mas preservei minha dignidade. Não ajoelhei perante os picaretas. Não fui submetido a humilhações que pudessem triturar meu psiquismo. Não perdi a capacidade de compreender que todos somos feitos do mesmo barro e que, no fim, lá estaremos juntos formando a massa disforme de nossa inexistência. 

Por isso, antes de tomar qualquer decisão na vida, convoco uma mesa-redonda com a minha consciência, converso com amigos, troco ideias com meus amores, pondero, ouço críticas sobre minha personalidade inconsequente, reflito profundamente, rumino as gramas de minha existência, para depois - só depois - vestir o personagem apropriado e sair por aí fazendo graça e cometendo troças. 

Hoje eu posso ser um copo até aqui de mágoa. Amanhã, posso estar tomado por uma fé inquebrantável na grandeza da humanidade. Depois...depois não sei, posso amar e odiar o mundo, ser chamado de Raimundo, sabendo que isso só será uma rima e nunca uma solução.



(Uma crônica não publicada de 2015)

Tem circulado na praça política articulações em torno da ideia de "projeto"de poder. Volto e meia escuto alguém dizer que é ...



Tem circulado na praça política articulações em torno da ideia de "projeto"de poder. Volto e meia escuto alguém dizer que é interessante fazer concessões em torno de alianças eleitorais em nome desse tal de "projeto". 

Tem gente que desenha cenários eleitorais até 2050. Risível.

Fulano odeia Sicrano, Beltrano desconfia de Alecrano, Pedro não combina ideologicamente com João, mas tudo bem, tamo junto em nome do "projeto". 

No campo partidário, a conversa é a mesma. O pragmatismo exige que, eleitoralmente, deva se fazer alianças de todas as formas para garantir espaço parlamentares, tudo em nome do "projeto". Asco.

Corruptos contumazes, oportunistas de todas as espécies, arrivistas dos mais variados modelitos, devem  compor chapa com pessoas honestas, bem intencionadas e republicanas, porque o importante é o "projeto". 

Candidatos de esquerda e de direita locais devem fazer - proclamam os arautos - um pacto de não agressão, transar no escurinho do cinema, evitar radicalismos ou divulgação de cartas de princípios porque, como se sabe, tem um "projeto" maior a ser defendido. 

Recentemente, venho sendo advertido a não emitir opiniões nem escrever sobre temas polêmicos porque tenho compromissos com o "projeto". 

Que projeto é esse, não sei...

Penso comigo: é pra rir ou chorar?. Uma informação geral: não existe esse tal de "projeto" para quem usa esse argumento. Isso nada mais nada menos é o velho e surrado mimimi para assegurar o poderio dos mesmos nas mesmas condições. 

Sendo mais cru: trata-se da mesma artimanha para continuar o surrado esquema de saque do erário público . O "projeto" é como fazer para continuar roubando. 

Desconfie daqueles que falam em "projeto". São picaretas da esperança, vendedores de ilusões, manipuladores de expectativas. 

Isso não existe. Vivemos tempos de incertezas. É impossível fazer projeções políticas que remetam a um diagnóstico do quadro para a próxima semana, o que se dirá nos próximos anos. Só gente muito obtusa acredita que isso seja possível. 

O mundo mudou. Cada vez mais a sociedade deseja uma mudança do sistema representativo que requalifique a política no seu sentido clássico; ou seja, ser um instrumento de promoção do bem comum. 

Quem defende esse papo de "projeto" sonha apenas em manter a bandalha atual, acreditando cinicamente que o fazer político é apenas montagem de esquemas nebulosos para roubar. 

Sabemos que dos nomes que pululam em nossa política muitos permanecerão no poder porque o mecanismo demonstra uma resiliência impressionante e também porque muitos eleitores-otários creem nessa história de "projeto". 

Mas até quando?

Campanhas eleitorais revelam o pior e o melhor dos seres humanos. O pior é quando pessoas localizadas em setores estratégicos lançam mã...



Campanhas eleitorais revelam o pior e o melhor dos seres humanos. O pior é quando pessoas localizadas em setores estratégicos lançam mão de intrigas, mentiras, fofocas, para neutralizar a livre circulação de idéias e preferências.

Recentemente fiquei perplexo com o fato de ter replicado espontaneamente uma postagem no wathsapp, que nada mais era do que uma foto de reportagem que reproduzia um autdoor que apresentava uma simples pergunta, e que, para minha completa surpresa, jamais poderia imaginar que tal gesto pudesse provocar o dono de um veículo de comunicação que se entregou de corpo e alma a uma das candidaturas, ao ponto de investir no papel de dedo-duro, acreditando que, assim, ameaçando, evitaria a propagação de imagens contra seu candidato. 

Deve estar ganhando uma fortuna para ser esse personagem...

Na opinião desse porcaria, não posso me manifestar livremente e tenho que me conter porque estou impedido pela minha atividade profissional.

Notem a contradição: um proprietário de veículo de comunicação defende abertamente a censura e a liberdade de expressão de um cidadão que, de vez em quando, aperta um botão de celular compartilhando isso e aquilo, às vezes sem prestar atenção naquilo que está fazendo.

Realmente, vivemos o fim dos tempos. 



Difícil acreditar, mas a seleção da Costa Rica que até bem pouco tempo aparecia em torneios apenas como figurante criou uma barreira de...


Difícil acreditar, mas a seleção da Costa Rica que até bem pouco tempo aparecia em torneios apenas como figurante criou uma barreira de proteção que funcionou até os 45 da etapa final, quando a seleção brasileira marcou seu primeiro gol.

São tempos de incertezas no futebol. Argentina com Messi está praticamente fora da Copa; Alemanha perdeu na estréia para o México e a Itália, tetracampeã, nem conseguiu chegar lá.

No mundo globalizado do futebol, a coisa vem mudando de figura e assistimos a equipe Iraniana dar trabalho para Espanha de Iniesta e os grandalhões suíços barrarem Neymar e companhia.

Ninguém tem vida fácil na Rússia.

Uma coisa ficou evidente nesta Copa, pelos baixos índices de gols: deu para perceber que todo mundo sabe se posicionar na defesa, mas poucos sabem jogar no ataque, tirando da cartola o elemento surpresa para desconstruir a marcação adversária.

Palpites com placares elásticos têm perdido espaço nas bancas de apostas para resultados mais pragmáticos e de poucos festejos. Não importa a quantidade gols, o lance é sair com a vitória e garantir a vaga nas oitavas.

E por falar em previsões, só o portuga Cristiano Ronaldo corresponde às expectativas dentro de campo com atuações precisas e gols importantes. Até agora, o gajo já marcou quatro gols em dois jogos e tem tudo pra ser o craque do torneio.

Jornalista

Terezinha Cândido:"Minha luta ficará na história". A candidata de oposição à presidência da Famasul, veterinária Terezinha ...

Terezinha Cândido:"Minha luta ficará na história".

A candidata de oposição à presidência da Famasul, veterinária Terezinha Candido, comunicou que foi demitida ontem (terça-feira, 19) do Senar, órgão vinculado à entidade, onde trabalhava há 19 anos como instrutora e 3 anos como coordenadora educacional. 

A diretoria eleita da Famasul, sob o comando de Maurício Saíto, conhecido como "japonês", decidiu pela demissão da candidata oposicionista em resposta a suas posições críticas durante a campanha. 

Terezinha denunciou vários procedimentos incorretos do processo eleitoral, o que acabou, na prática, sendo configurado, com a votação estrondosa da chapa da situação (82% dos votos), num quadro evidente de fraude, pressão oficial e manobras estranhas à categoria.

O ato de demissão é uma demonstração inequívoca de baixeza política. A dificuldade de convivência com o contraditório e com o ambiente democrático leva a decisões como essa. Só para efeito comparativo com o atual momento da Copa, foi uma vitória sem marcação de faltas, mão na bola e com o juiz comprado. Um escândalo!

"Estou em paz com a minha consciência. A minha luta ficará na história como começo de mudanças na Famasul. A retaliação política praticada ficará como uma mácula a assombrar essa gestão para sempre", comentou Terezinha após ser notificada da demissão 

N a semana passada, a população de Campo Grande foi bombardeada com chamadas na TV Morena anunciando que o Fantástico apresentaria grave...


Na semana passada, a população de Campo Grande foi bombardeada com chamadas na TV Morena anunciando que o Fantástico apresentaria grave denúncia envolvendo a prefeitura da Capital. 

Tal fato eletrizou a mídia e as redes sociais. A pauta envolvia o uso de empresas terceirizadas para a contratação de funcionários fantasmas. 

As inserções não esclareciam o conteúdo da reportagem. A referência à Campo Grande surgiu por causa de uma rápida imagem mostrando a fachada da prefeitura. 

Mas isso bastou para fomentar fake news de todas as espécies. 

Em menos de 24 horas o assunto era comentado em todas as redações e nas principais rodas políticas da cidade. 

O Fantástico ia causar um abalo na imagem do prefeito com "revelações" gravíssimas de desvio de uso de dinheiro público. 

Um personagem histriônico ganhava destaque: tratava-se de um sujeito desconhecido que ostentava, supostamente na Flórida (EUA), carrões acompanhado de gritinhos "que crise, que nada!", dando assim um plus a mais no que vinha pela frente, quando no domingo (ontem, dia 17) todo o material fosse levado ao ar. 

Na quinta-feira (14) já se sabia do que se tratava: era material jornalístico requentado, pelo menos no que envolvia Campo Grande, embora se comentasse que havia "alguma coisa" sobre Ribeirão Preto (SP). 

Na sexta-feira, ficou-se sabendo que as "terceirizadas" eram as famosas OMEP e Seleta. Essas organizações ganharam destaque em 2015 e 2016 na imprensa campo-grandense por conta de contratações esquisitas, denunciadas pelo Ministério Público Estadual, que inclusive levaram à prisão alguns de seus dirigentes. 

Em 2017 esses contratos foram encerrados e o passivo trabalhista foi quitado. Hoje a prefeitura de Campo Grande não mantém contratos de terceirização de mão-de-obra. 

Mesmo assim, o burburinho político permanecia. 

Ontem (domingo) veio finalmente a reportagem: o foco e os personagens eram municípios do interior do Rio Grande do Sul. Em seguida, citou-se Ribeirão Preto. Depois, falou-se por cima de Campo Grande, sobre prefeitos (sem citar nomes) do período 2015/2016, envolvidos em irregularidades de terceirizadas. As organizações denunciadas não foram claramente nominadas. 

Ou seja: a grande reportagem do Fantástico era uma fraude propagandística. As entrevistas com membros do MP e do Judiciário foram cômicas. Tudo meio confuso, sem propósito, enviesado, picareta mesmo. 

E nós, os telespectadores, como ficamos? Acredito que somos apenas um detalhe nessa máquina de triturar reputações, com figuras posando de paladinos da moral e dos bons costumes, com certeza rindo dos otários que assistiram ao programa acreditando que temas relevantes seriam levados ao ar.

Que mico!





No próximo sábado acontece em Campo Grande o fechamento do processo eleitoral da Famasul.  Disputam duas chapas: a oficial, encabeç...


No próximo sábado acontece em Campo Grande o fechamento do processo eleitoral da Famasul. 

Disputam duas chapas: a oficial, encabeçada pelo atual presidente da entidade, Maurício Koji Saito, e a da oposição, liderada por Terezinha Candido. 

No centro do debate, as propostas não estão, digamos, causando muito empolgação entre os associados. São as famosas agendas positivas com “cartas de intenções” muitas vezes inexeqüíveis.

O que está provocando fervura mesmo é o próprio sistema de escolha, o jogo político dos interesses submersos e o funcionamento da máquina de destruição de reputações. 

Há muitos anos os representados da Famasul questionam a forma de escolha dos representantes. Trata-se de joguinho de compadres e comadres, sujeito a todo tipo de armação. 

A candidata da oposição decidiu mexer nessa ferida. Por isso, vem sendo acusada pela situação de quebrar uma regra de ouro do processo eletivo: os acordos por cima desprezando os interesses de quem paga a conta, por baixo. 

Terezinha Candido passou a ser menina má do jogo. É acusada de estar fragilizando a entidade como um todo só porque decidiu divergir. 

Ora, até onde o mundo é mundo esse é o jogo democrático que vitaliza e consolida as instituições. Mas quem deseja debater assuntos de adultos num jardim da infância?

Com isso, há uma mistura de ataques abaixo da cintura com direito a xingamentos proibidos para menores de 18 anos.

Mas o fato real é outro. A candidatura de oposição ganhou musculatura nas redes sociais e tem provocado intensos debates entre produtores, tudo longe da imprensa e do chamado “grande interesse público”. 

Candidatos a senador, deputado e governador estão sendo convocados a participar discretamente do processo. A Famasul representa fatia ponderável do PIB de Mato Grosso do Sul. Com isso, a movimentação política tem sido intensa. 

O grande problema é que a pauta da candidatura de Terezinha Candido ganhou espaço na base dos filiados da entidade: há um consenso em torno da idéia de representação direta, ou seja, uma cabeça, um voto. 

O mundo moderno tem dessas coisas...

No desespero, a chapa oficial entrou na famosa fase de “vamos ganhar no tapetão”. Com isso, toda a sorte de abusos e fraudes passou a ser praticada nos sindicatos rurais. 

Primeiro, constatou-se certa lassidão na publicação de editais convocatórios das eleições, com prazos errados e sem divulgação ampla para conhecimento dos interessados.

Houve um caso esquisito: um sindicato rural convocou os filiados para prestar contas e, no fim da assembléia, com pouquíssimas pessoas, a título de discutir “assuntos gerais” realizou-se a eleição para a Famasul. Quem pediu para fotografar a ata foi agredido verbalmente e colocado pra fora da sala. 

A oposição, assim, reuniu farta documentação para ingressar com um processo judicial pedindo a anulação do pleito. Ou seja: é provável que as verdadeiras eleições estejam apenas começando e não terminando no dia 16. O assunto vai render.

Em um dia normal de trabalho, na rotina das minhas atividades de pesquisas – redação de projetos, artigos científicos, relatórios de ativi...

Em um dia normal de trabalho, na rotina das minhas atividades de pesquisas – redação de projetos, artigos científicos, relatórios de atividades, acompanhamento de alunos orientados, entre outras - recebo inesperada visita da produtora rural, médica veterinária e diretora da Famasul, Sra. Terezinha Candido. 

Entendendo ser uma visita técnica, conversamos sobre vários assuntos pertinentes à agropecuária, até ser surpreendido pelo honroso convite de participar da Chapa que estava sendo montada para futura disputa à composição da nova diretoria da Famasul.

Fiquei surpreso e “pedi um tempo para pensar” e consultar – família, empresa, amigos (as) produtores (as) rurais e entidades da qual participo. 

Após aprovação e apoio, decidi aceitar o convite. Incentivar a livre manifestação, o debate, a participação e a defesa dos direitos democráticos, entre tantos outros benefícios que uma eleição pode trazer à classe rural foram suficientes para minha convicta decisão.

Procurei me aprofundar em questões institucionais para, de alguma forma, contribuir com o enriquecimento do debate. 

Preparamos uma proposta de trabalho baseada no Planejamento Participativo e Estratégico (Áreas de atuação e atendimento às demandas, Transparência) no Desenvolvimento Institucional (Gestão Moderna, Comunicação e Negócios, Novo enfoque para os Líderes Rurais) e Inclusão (Eleições Gerais e Abertas, Famasul Sociocultural, Famasul Itinerante, Dialogo com os produtores e, acima de tudo, a necessidade fundamental de tornar a entidade permanentemente aberta às sugestões, críticas e contribuições para o seu crescimento institucional). 

São propostas construtivas que estão servindo como roteiro para discussão entre os produtores, de forma aberta e transparente.

Entendo ser este um momento muito importante para o futuro de nossa instituição. Não se fala aqui em sua sobrevivência, mas de sua relevância perante seus representados. 

Assim, quero deixar minha contribuição no sentido de estimular o movimento de participação visando a reacender a chama da convergência e da democracia. 

Minha esperança é de que a classe produtora rural volte a apoiar nossas principais bandeiras e não deixe que sua principal entidade de representação seja fragilizada por políticas alheias aos seus verdadeiros interesses.


*Produtor rural, engenheiro agrônomo e médico veterinário

A greve dos caminhoneiros mexeu com o País. Mesmo sabendo que por ora o quadro de caos tenha se dissipado, não há como negar que conseqüên...

A greve dos caminhoneiros mexeu com o País. Mesmo sabendo que por ora o quadro de caos tenha se dissipado, não há como negar que conseqüências graves ainda virão. Como uma pedra jogada nas águas calmas de um lago, pouco a pouco as ondas criadas reverberam até as margens, numa relação de causa e efeito, gerando imprevisibilidade e aumentando as incertezas. 

No momento, não há sinais claros de que o movimento gigantesco que quase paralisou a base econômica do Brasil tenha sido superado. A tensão permanece latente, talvez esperando acontecimentos extemporâneos para retornar com mais força nos próximos meses. A hora que vivemos é estranha e nebulosa. Pior: não há lideranças nem partidos que possam garantir um debate racional em busca de caminhos e soluções perante uma maioria insatisfeita e revoltada.

O que se sabe é que uma greve como essa não somente causa ruína política ao governo de plantão, mas machuca profundamente toda a sociedade, deixando rastros crescentes de problemas que empobrecerá ainda mais o País. 

Hoje, sabemos mais sobre a natureza desse movimento e quais foram suas motivações iniciais. Está claro que houve uma combinação de locaute de empresários com o drama vivido por milhares de caminhoneiros por causa do aumento do diesel combinado com a queda do valor do frete. Lateralmente, ficou provado que a aposta predominante em rodovias foi um equívoco estratégico dos governos.

Também ficou claro que o Brasil fez a escolha errada em período recente, subsidiando compra de caminhões ao custo de R$ 34 bilhões de recursos públicos, promovendo uma anomalia no mercado de transporte rodoviário, ou seja, criando um excesso de oferta que se agravou à medida que, concomitantemente, havia queda na produção e venda de produtos. 

Mesmo assim, não há como tergiversar sobre o fato de que o movimento dos caminhoneiros exacerbou-se à medida que perdeu sua legitimidade quando as reivindicações transformaram-se em chantagem pura e simples.

Com isso, o sagrado direito de ir e vir da população foi atingido em cheio. Não há como aceitar que uma questão que demandava solução pelo diálogo e pela evocação do espírito público fosse transformada numa disputa renhida entre uma categoria sem lideranças visíveis e um governo notabilizado pela tibieza de seus principais representantes. 

O que a OAB pediu naquele momento foi nada mais nada menos do que a garantia de direitos e a manutenção da ordem pela via democrática. Mas não foi isso que aconteceu: assim que empresários e caminhoneiros viram o centro do poder rendido aos seus pés, passaram a tripudiar sobre os frangalhos exigindo o cumprimento de uma pauta política totalmente despropositada, juntando no mesmo pacote a renúncia do presidente e uma intervenção militar. 

Noutras palavras, quando uma reivindicação econômica eivada de razoabilidade se transforma numa transgressão institucional, cujos objetivos resvalam para a criminalidade, não há como evitar que se recoloque o debate num plano crítico de contraposição ao populismo e ao autoritarismo. O interesse da sociedade deve prevalecer nesses casos, mesmo porque, no fim das contas, quem pagará por isso seremos todos os brasileiros, já extensamente maltratados por uma das mais longas e danosas recessões da história.

A Ordem está tirando lições importantes desse processo. Sempre defenderemos a justiça em nome da qual se promove a paz social, não permitindo que a barbárie prevaleça sobre a civilização. 


Presidente da OAB/MS


O texto abaixo foi uma palestra proferida no ano 2000 para estudantes de artes e criação:  "Vou tentar descrever o meu process...




O texto abaixo foi uma palestra proferida no ano 2000 para estudantes de artes e criação: 

"Vou tentar descrever o meu processo criativo. Vamos imaginar que eu esteja diante de um computador. Vou começar a escrever um texto qualquer. Tenho um assunto em mente, vagas idéias e informações desordenadas, compondo o material primevo para iniciar o trabalho. 

Tudo começa com o nada. Tenho à minha frente uma folha branca. Entre os olhos e os dedos há um universo infinito de possibilidades. É preciso fazer escolhas. O texto se constrói assim: sobre uma base concreta os pensamentos transformam-se em palavras, cujos sentidos expressam idéias e blá-blá-blá. 

É tudo muito simples e, aparentemente, fácil. O esforço é exatamente transformar esta superfície plana num mosaico contrastante entre o preto e o branco em algo que tenha expressão: letras, códigos e símbolos – na verdade, tudo são desenhos esculpidos sobre a tela lisa. É preciso, então, ordenar um pouco o caos para que ele possa estabelecer um discurso pessoal. Não tenham dúvida: criar é um ato de total violência. 

Como começar a escrever? Qual a palavra inicial? Qual a frase que dará início a tudo? Qual a mensagem que desejo transmitir? Qual comunicabilidade pretendo estabelecer com leitores imaginários? Como vou conseguir alcançar o outro, agarrá-lo pelo pescoço, seduzi-lo, torná-lo cúmplice de minha trama?  Dúvidas, dúvidas, dúvidas...

O mecanismo da dúvida aciona as idéias e as idéias, assim, se transformam em imagens. As imagens corporificam um encadeamento lógico e se transformam em pensamentos. E o texto começa a surgir, às vezes espontâneo, em outros momentos de maneira calculada – mas sempre com muito esforço, repleto de significados internos, exigindo intensa mobilização corporal e imensa  concentração mental. 

Por mais rápido e fluido que eu possa digitar, a elaboração e os rituais mentais que o texto exige são por demais penosos antes, durante e depois do próprio ato praticado. 

Antes, pela atenção torturante que exige. Durante, pela disposição física que requer – não é fácil ficar sentado por horas a fio fazendo a mesma coisa todos os dias – e, depois, pelo resultado, invariavelmente frustrante, não conseguir descobrir se as palavras certas foram usadas, se a gramática estava convencionalmente correta, se a pontuação era precisa...  tudo isso representa pouco diante da complexidade e riqueza de nossos pensamentos.

Descartando os elementos fantasiosos e glamourosos  do que significa o ato de escrever para cada um que vive deste ofício é  preciso dizer uma coisa óbvia, mas que muita gente insiste em não saber: para escrever é preciso ler sempre e escrever sempre. De outra forma, não é possível, ou melhor, até pode ser, mas o resultado é banal. O texto e o seu estilo correspondente são, invariavelmente, a imitação de algo que já foi escrito e repetido milhares de vezes. 

Ninguém escreve coisas novas no sentido de fundar novos códigos da comunicabilidade humana. Vivemos no tempo da reciclagem geral e total de todas as formas de pensamento que os teóricos gostam de chamar isso de pós-modernismo. O que restou a ser feito por nós, homens e mulheres do século XXI, é elaborar novas sínteses usando novas mídias. 

Cada jornalista ou escritor tem os seus mecanismos próprios motivados por vozes interiores apreendidas por anos e anos de prática e mimese. Nós poderíamos aqui discorrer sobre o método e o sistema de elaboração literária ou jornalística de vários escritores famosos. 

Mas uma coisa é certa: sempre será uma experiência profundamente individual, fundada em elementos subjetivos que, por mais explicitados que sejam jamais será compreendido integralmente pelo outro. Não existe fórmula mágica nem modelo universal. Dificilmente, alguém poderá aprender a escrever com estilo e beleza freqüentando um curso de letras, de jornalismo ou de macetes literários. Tudo depende – em grande parte - de esforço e iniciativa pessoal.

Por essa razão, processos criativos não se explicam didaticamente passo a passo. O que se explica são os métodos utilizados para que cada um construa o seu próprio caminho. Todos nós temos o nosso ritual, nossas manias, nossos vícios. 

Eu, por exemplo, gosto de escrever sob intensa pressão. Caso contrário, protelo ao máximo a realização de um trabalho. Este texto que estou lendo aqui e agora, só conseguiu terminá-lo algumas horas atrás. Se tivesse que vir aqui falar amanhã, concluiria amanhã. Se fosse para segunda-feira, idem... e assim por diante... 

Para efeito didático, o que o meu trabalho com as palavras me ensinou nestes anos todos é que não existe experiência mais excitante e, ao mesmo tempo, mais decepcionante. Procure um escritor ou jornalista e pergunte se alguma vez na vida ele ficou inteiramente satisfeito, depois de reler um trabalho publicado no passado, ou mesmo no dia seguinte, e se não foi tentado a fazer correções aqui e ali, ou até mesmo jogar no lixo páginas e páginas produzidas com entusiasmo. Se ele disser que não, esqueça-o, pois certamente ele pertence ao segundo time. O trabalho de criação literária é o da permanente insatisfação consigo mesmo.

Vou separar agora, discricionariamente, o trabalho jornalístico do literário, apesar que muitas vezes não sabemos diferenciá-los por inteiro. O texto que escrevemos para jornal pode ser chamado de fast food do pensamento. Ele geralmente é escrito apressadamente, muitas vezes repleto de erros, num coloquialismo tão pobre que, sempre, no dia seguinte, envergonha o autor. Contudo, trata-se de um exercício mental muito importante, porque exige o máximo de concentração e o mínimo de bom senso. 

Neste momento, o jornalista despe-se de cuidados estéticos, infla-se de irresponsabilidade, pensa única e exclusivamente na melhor forma de comunicação e escreve com as patas. Alguns, é inegável, conseguem resultados surpreendentes, sobretudo os colunistas que publicam seus artigos uma vez por semana. Outros ainda, mesmo diariamente, conseguem produzir obras geniais, como, por exemplo, Nelson Rodrigues; mas a grande maioria produz lixo que, mesmo assim, é digerido por milhares de pessoas todos os dias. Muitos gostam...

O processo criativo em jornalismo geralmente é despido de autocrítica. O relógio não permite que se pense muito. As decisões têm que ser rápidas. As escolhas são as mais limitadas possíveis. Não há vida inteligente que resista às pressões. Por esta razão, os grandes jornais hoje estabeleceram critérios rígidos de divisão de trabalho, onde os jornalistas produzem material especializado, distribuídos pelas editoriais. O chamado jornalista generalista – que domina muitos assuntos ao mesmo tempo - está acabando. 

Com a criação literária é diferente. Um bom romance ou um livro de contos ou mesmo poemas leva muitos anos para ser escrito. É um trabalho que exige dedicação. A construção dos textos requer planejamento, roteiro, riqueza de detalhes, estilo, inovação, enredo, observação permanente, investigação, pesquisa etc. Claro que no ato de concepção do texto não se pensa muito nestas coisas, mas todos estes elementos estão reunidos em algum lugar da mente e, espontaneamente, se reúnem por ato involuntário. 

A minha primeira experiência literária surgiu com uma tentativa de produzir um romance. Comecei a escrevê-lo há cerca de três anos. Tudo começou com uma frase. Aos poucos, como se as idéias fossem se encadeando, começou a haver interconexão com várias outras idéias, misturadas com questões pessoais vividas, situações imaginárias que se imbricavam na trama, e, quando dei por mim, já tinha escrito mais de dez mil palavras. Descobri que tinha uma história. Comecei em seguida retrabalhá-la.  Reescrevi esse primeiro trecho, dividido em quatro capítulos, dezenas de vezes. O trabalho começou a crescer. Eu estava entusiasmado.

De repente, chegou um momento em que o romance não avançava. Eu não conseguia escrevê-lo. Algo me paralisava. Por mais que eu trabalhasse no texto, na hora de reler verificava que o resultado era insatisfatório. 

Descobri, então, que o projeto era ousado demais e que eu ainda não havia reunido interiormente vivências e experiências suficientes para concretizá-lo. Resolvi, assim, suspendê-lo temporariamente. Enquanto isso, comecei a escrever vários contos simultaneamente. Para a minha satisfação, conseguir concluir esse livro no ano passado. Distribui algumas cópias para que  algumas pessoas fizessem uma leitura critica e espero que, este ano, possa publicá-lo, sem mais protelações.

Mas volto ao meu romance. Trata-se de uma história simples. Um escritor perde sua esposa num acidente automobilístico. A perda o faz entrar num profundo processo depressivo e autodestrutivo. Tendo ficado órfão quando criança, a única pessoa de suas ligações é um homem chamado José, que vive em Paris e que, por intercorrência de um derrame cerebral, está completamente imobilizado. José não se mexe, não fala, enxerga pouco, escuta e, apesar de tudo, continua lúcido. 

O escritor decide, então, enviar correspondências quase que  diárias ao seu amigo, como forma de manter sua sanidade por meio da confissão de suas intimidades e também como maneira de expiar suas culpas. O romance é constituído por essas cartas, e-mails, bilhetes, papéis avulsos. A trama transcorre sempre de forma indireta. A estrutura narrativa é a visão quase que  exclusiva do escritor. As peças que compõem o roteiro do livro – cujo título provisório é:“É tudo Mentira” – misturam confissões íntimas dos personagens, ensaios e enredo policial. 

Por coincidência, em determinado momento do romance, o escritor-personagem escreve uma carta ao amigo relatando o seu processo criativo. Achei interessante trazê-lo aqui para compartilhar com vocês, visto que, de certa forma, corrobora com algumas idéias que tenho. Vou ler um pequeno trecho:

.....................José ,  preciso confessar um segredo -  mas tenho medo.

Todas as vezes que eu partia para finalizar um livro - e isso levava, invariavelmente, alguns meses- só o isolamento e a solidão tornavam a torturante verdade possível: era preciso escrever era preciso inventar. A minha vida dependia disso. Era um ensaio de suicídio.

Mas eu sempre pergunto a mim mesmo: o que é escrever sob o peso escaldante da dúvida? Que escolha fazer diante de tantas estradas perdidas que o texto nos indica levar?
Como transformar os elementos abstratos do pensamento em formas concretas por meio das palavras?

Que esforço é esse que nos leva a querer criar vidas humanas para substituir idéias difusas  e evanescentes sobre a inevitabilidade da morte?

Tenho uma teoria: o homem inventou a palavra porque sentia a necessidade de dar forma ao seu enigmático sofrimento corporal. Escrever dói. Diante de uma página há sempre algum músculo obscuro propenso a sentir alguma dor. Há sempre um alguém estranho saindo das entranhas de nossas mãos emaranhadas de vidas alheias. 

E, assim, as histórias começam aos poucos a se estruturarem dando a ilusão de uma verdade ao que, aparentemente, é apenas um discurso da verdade. Só que tudo é falso. Não há vida. Só a combinação lógica de palavras, preto no imaculável branco. 

Durante toda a minha vida de escritor uma única sensação foi verdadeira: a de que a batalha com os meus limites era interminável. O desejo de ser outro, de ver a vida de outra forma, com outro estilo, com  mais talento e mais graça, com um pouco, talvez, de mágica , sem  ficar em pânico diante do fracasso e sem permitir que a preguiça me abraçasse com seus tentáculos, tentando impedir que eu chegasse ao fim , ao ponto final, ao fecho da trama (esse desejo impossível habita as profundezas de todos os nossos infernos).

Escrever só se torna uma atividade prazerosa quando você perde o controle emocional de seu corpo. Quando não se é mais capaz de subordinar o raciocínio a regras mecânicas da temporalidade e objetividade. Quando tudo parece um monólogo contínuo e  interminável. O texto se transformando em música -  e o ritmo das frases, numa sinfonia corporal. 

Lembro-me de uma cena quando penso nesse assunto. É tudo muito simples: resolvo caminhar de madrugada pelos canteiros centrais da Avenida Afonso Pena. Eles estão vazios e toscamente iluminados. E andando feito um bêbado, fico horas imaginando quantos textos estão ali ocultos, só esperando que alguém os faça renascer através dos fantasmas que há tempos imemoriais aguardam que os arranque do chão e se dê início às milhares de histórias latentes que desejam ressuscitar do asfalto, das calçadas e dos gramados - que se espraiam em direção ao parque dos poderes -  sugerindo o encontro do cerrado com o mar. 

Então, nessa hora estranha, fico acreditando que, um dia, um ser humano especial qualquer, por não suportar mais ver a vida passar por ali na sua aterrorizante falta de importância, no seu vazio inútil, no caos inconsútil da mesmice cotidiana, escolha, aleatoriamente, dois rostos, dois corpos, dois acasos que entrelacem vida e morte, e comece,  enfim,  a corporificação da teia indissolúvel dos acontecimentos que não se sucederam , mas que se sucedem  nas páginas que brotam do esforço mental provocado pela solidão inexorável, inventando  histórias soberbas de loucos e índios, de bravos e idiotas, de indivíduos individualizados na própria indigência existencial, pessoas que cometem o desatino de viver com a esperança de que o amanhã será tudo diferente, mesmo sabendo que a diferença não é o mais importante,  pois o ato de estar vivo por si só se tornou algo extraordinariamente importante.

É dessa maneira, de forma abrupta, sem motivo aparente, no febricitante tatear da imaginação em busca de luz, que se começa o velho e conhecido ritual de a palavra desencadear a palavra na cadência sublime da mentira.  

Escrever é impregnar de estilo os vazios entre os arcanos do verbo. É no silêncio silábico que ouvimos o retinir forjando as frases. Cada voz modula seu próprio ser. Cada pausa entre os sons liberta uma torrente de temores. Entre o ato de inspirar e expirar, um universo inteiro perpassa pelo nosso corpo. E nesse vazio construímos mundos imensos - cheios de dor, desejo, alegria e nojo. Por isso, às vezes, quando grito dou risadas...   

Como se pode ver, nesta mistura de ensaio acadêmico e texto literário, está descrito quase que um processo de criação. Em seguida a esse trecho o escritor-personagem deste romance suspenso até segunda ordem descreve como escreveu cada um de seus livros, fazendo revelações, que muitos aqui, se um dia o ler, poderão concluir tratar-se de um obsessivo à beira de um ataque de nervos. Mas prefiro não adiantar mais, para não tornar essa intervenção ainda mais enfadonha.

O fato que desejo demonstrar aqui é que na literatura o processo de criação muitos vezes é fragmentário. Claro, quando o leitor se depara com a obra, ela é um monolito geralmente com começo, meio e fim, não necessariamente nesta ordem. O processo de produção pode ser cartesiano, mas sempre é  construído por pedaços. Não depende de inspiração e sim de método, disciplina , leitura, observação e , acima de tudo, vivência interior. Eu sempre digo: escrever ficção é a cada momento inventar enigmas para si mesmo. Quanto mais intrincado o enigma, as dificuldades da trama, as armadilhas do enredo, mais original o trabalho. 

Por fim, vou citar um texto de Céline, que acho ser emblemático de tudo aquilo que foi dito aqui. Ele diz, a título de prólogo de seu romance Viagem ao fim da Noite:

Viajar é muito útil, faz a imaginação trabalhar. O resto não passa de decepções e cansaços. Nossa viagem, a nossa, é inteiramente imaginária. É essa sua força. 

Ela vai da vida à morte. Homens, animais, cidades e coisas, tudo é imaginado. É um romance, nada mais que uma história fictícia...

E além disso todo mundo pode fazer o mesmo. Basta fechar os olhos.

É do outro lado da vida.  

Obrigado.

Campo Grande ,06 de maio 2000"


Ilustração: Cláudia de 
Villar

Nesta quinta-feira ( 07 de junho), a Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul promove no Barô um debate de fundamental importância ne...

Nesta quinta-feira ( 07 de junho), a Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul promove no Barô um debate de fundamental importância nesse mundo louco em que vivemos: a verdade sob o ponto de vista do direito e da psicanálise. 

De um lado, o advogado Newley Amarilla ( que vem se especializando em delação premiada de personagens de nossa política local) , de outro, as psicanalistas Maria Fernanda M. Soares e Âmgela Sollberger (mediadora), duas craques nos estudos sobre os conceitos freudianos que enquadram a mente humana na realidade circundante de nosso tempo . 

No meio, um assunto que requer urgência para que compreendamos esse tempo de incertezas, que coloca a sociedade num tropo em que há mais dúvidas do que certezas. 

A verdade é um drama humano. Ela pode ser procurada nas frinchas especulativas das ciências, da religião, da filosofia, sem que se possa assegurar aquilo que é e o que não é. 

O evento que acontece hoje no Barô é historicamente fundamental. À semelhança do que vem ocorrendo nas principais capitais do País essa iniciativa é um indicativo de evolução cultural. Não importa que o espaço seja restrito do ponto de vista físico, mas o fato de amplificar o debate significa que o pensamento tem uma força poderosa para fazer girar a roda dos acontecimentos. 

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