(Tela:Marina Maia) Meu pai não era meu pai. Meu pai era outro. Minha mãe casou-se com ele quando estava grávida. Ele tinha três fil...

(Tela:Marina Maia)

Meu pai não era meu pai. Meu pai era outro. Minha mãe casou-se com ele quando estava grávida. Ele tinha três filhos. Era viúvo. Meu pai mesmo nem eu nem ela conhecemos. 

Na verdade meu pai nunca existiu. Minha mãe uma vez me contou que, no revellion de 68, saiu andando na praia sozinha depois de beber muito. Quase amanhecendo sentou-se na areia e desmaiou. 

Mais tarde, dia claro, acordou e tomou um banho de mar. Dias depois descobriu que estava me esperando. Ela acha que eu vim nas ondas do mar como uma sementinha que entrou dentro dela e assim foi fecundada. 

Meu pai e meus irmãos não acreditavam nessa história. Por isso, eles tinham um ódio visceral do amor de minha mãe por mim, dos mimos que ela me fazia, da atenção que me dava, dos laços que tínhamos com o mar. 

Minha mãe amava o mar. Minha mãe me amava. E meu pai achava que éramos loucos.

Poema escrito e selecionado em 1997 em concurso de poesia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Indivíduo O índio...


Poema escrito e selecionado em 1997 em concurso de poesia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).


Indivíduo

O índio
individualiza
a indigência
da civilização.

O índio
é o anti-indivíduo
atirando sua flecha abstrata
Para o sol.

O índio
é lúdico
subvertendo a lucidez
no  caos.

O índio
é o indigente
moderno de
nossa indigestão

Matem o índio!


(Dante Filho)







Princípio & Fim ( Todas as palavras  que escuto são ecos  dissonantes  do pensamento ) (Os sinos que tocam ao longe estão p...


Princípio & Fim


(Todas as palavras 
que escuto são ecos 
dissonantes 
do pensamento )

(Os sinos que tocam ao longe
estão próximos dos sentimentos )

(Os golpes 
que sibilam 
no escuro
ecoam gotas 
que se evaporam na calidez do sol)

(Os sonhos que vaporizam
na diáfana 
procela da noite
solicitam uma vida intacta e 
intocável na permanência da pedra )

(Ponto por ponto
linha por linha
som repetindo som
- aqui se encontram
os mesmos grãos
que fragmentam
o nascimento e a 
destruição )

Um assunto muito importante vem sendo debatido entre o Governo Federal, candidatos à presidente e o setor empresarial: uma proposta de ...


Um assunto muito importante vem sendo debatido entre o Governo Federal, candidatos à presidente e o setor empresarial: uma proposta de um novo sistema de saúde nacional. A intenção é propor planos de saúde populares e retirar do SUS sua principal característica: gratuidade e universalidade.

Antes das divagações e da utopia comum entre essas classes, é preciso lembrá-los que o SUS é o plano de saúde de maior cobertura; procedimentos caríssimos como transplantes de órgãos, dentre muitos outros, são realizados unicamente pelo sistema.


Vivemos um momento de precariedade dos planos de saúde, com coberturas extremamente falhas em relação às intervenções mais caras e muitas reclamações sobre os serviços prestados.


No dia 02 de março do corrente, a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS), que regula os planos de saúde, suspendeu a venda de 44 planos de saúde, por conta da baixa qualidade na prestação dos serviços.


Planos populares com valores baixos, mas que ao serem utilizados exigem o pagamento de 50% dos valores dos procedimentos, têm tido cada vez mais adesão. Porém, vale ressaltar o valor abusivo desses procedimentos, uma vez que vivemos em um país com uma desigualdade social gigantesca e a simples menção de substituir o SUS por planos populares é, no mínimo, inadmissível.


Só em 2014, os planos de saúde doaram mais de 55 milhões para candidaturas políticas. Por causa disso, cada vez mais se torna mais crescente a influência desse seguimento da iniciativa privada dentro da política, com o objetivo claro de propor substituições no acesso universal do SUS, por uma proposta de seguros de saúde.


A universalidade e assistência de saúde gratuita não é uma utopia, países desenvolvidos como: Canadá, Inglaterra e França, são experiências exitosas nesse assunto.


O SUS é viável desde que haja investimentos na promoção e prevenção à saúde, políticas de incentivo a indústria farmacêutica nacional, investimentos em ensino e pesquisa na área de saúde e a valorização dos profissionais que trabalham no Sistema.


O Brasil investe menos de 7% do orçamento publico federal em saúde (enquanto a média mundial de outros países é de cerca de 11,7%). Portanto é prudente dizer que, antes que qualquer medida substitutiva à gratuidade e universalidade do SUS, é preciso repensar conceitos e investimentos no setor da saúde pública.


Reforço a minha postura de defensor do SUS, nossa maior conquista garantida pela constituição federal, não podemos deixar que qualquer ameaça venha prejudicar o nosso Sistema Único de Saúde.


*Vereador em Campo Grande e enfermeiro com mais de 15 anos de experiência na rede pública



Contato: vereadorfritz@gmail.com


A Ordem dos Advogados de Mato Grosso do Sul criou recentemente uma Comissão Temporária de Fiscalização Eleitoral para acompanhar as elei...


A Ordem dos Advogados de Mato Grosso do Sul criou recentemente uma Comissão Temporária de Fiscalização Eleitoral para acompanhar as eleições desse ano. Trata-se de um trabalho institucional para ajudar a salvaguardar os interesses da sociedade para que se coíba a contaminação pela corrupção no processo de escolha de nossos representantes. 

Nos últimos anos, os eleitores compreenderam que o sistema eleitoral brasileiro fez germinar organizações criminosas que se incrustaram no Poder do Estado para desviar recursos públicos com fins político-partidários e privados. Na verdade, o fenômeno remonta o Brasil Imperial, mas nos últimos tempos assumiu proporções gigantescas.

Dessa maneira, a cada ciclo eleitoral o mesmo modelo de poder é retroalimentado, estabelecendo padrões de privilégios que frutificam nossas desigualdades sociais à medida que enriquece poucos com o dinheiro de muitos. 

Assim, na ponta, nossas deficiências estruturais são perenizadas, principalmente naquelas atividades governamentais consideradas nobres, tais como saúde, educação e segurança pública. 

Quem assistiu à série “O Mecanismo”, da Netflix, teve a oportunidade de acompanhar uma narrativa eletrizante de como funciona em nosso País a chamada corrupção sistêmica. 

Muitos podem considerar essa obra ficcional um espelho de nossa realidade, mas ela é mais do que isso: temos, nesse caso, um exemplo claro de qual sentimento que embala a Nação no atual momento, não somente pelo sucesso da série como pela verossimilhança com fatos que temos acompanhado no dia a dia do noticiário. 

Está mais do que claro que parte de nossas disfunções institucionais nascem do processo eleitoral. Tal constatação é mais grave porque são exatamente as eleições que consagram nossos valores democráticos. 

Garantir a lisura absoluta nos pleitos eleitorais é a forma correta para fortalecer nossa democracia, sem a qual corremos o risco de retroceder no tempo, abrindo espaço para que aventureiros comecem a flertar com ideais de fundo totalitário. 

Por isso, a Comissão Temporária Eleitoral da OAB/MS focará nesse ano o combate à corrupção eleitoral, encetando uma série de ações para que os eleitores tenham consciência da importância do dever de escolha daqueles candidatos comprometidos com valores republicanos. 

Sabemos que o momento político brasileiro é difuso. As circunstâncias dão margem para muita insegurança jurídica. Os partidos ainda não conseguem fazer uma filtragem adequada para que se coloque em cena nomes acima de qualquer suspeita. 

Parte dos eleitores ainda é ludibriada por truques de marketing, promessas vazias e ofertas franciscanas.  

Nossa democracia é jovem e encontra-se em pleno processo de aprimoramento. Mas as instituições comprometidas com valores éticos não podem ficar inertes esperando que mudanças ocorram por passes de mágica. O combate à corrupção deve ser luta permanente de aprimoramento do devido processo legal. 

Inegavelmente, com erros e acertos, estamos melhorando nossos arcabouços legais, tentando deixar para trás vícios inerentes, superando problemas que remontam nossa tradição patrimonialista. Não é tarefa fácil, mas as gerações futuras reconhecerão que esse esforço valeu a pena.

Advogado e presidente da OAB de Mato Grosso do Sul

“Como se renovar sem primeiro virar cinza?" (Nietzsche) Os que trabalham com a mente, seus afetos, emoções e relações sabem ...


“Como se renovar sem primeiro virar cinza?" (Nietzsche)

Os que trabalham com a mente, seus afetos, emoções e relações sabem que a depressão não é apenas uma doença, mas um momento privilegiado que pode ter como conseqüência uma boa mudança.

O país está de luto ou deveria estar, pois só assim teremos chance de renovação, como disse o filósofo, e reafirmou Freud inúmeras vezes. Os últimos dias foram o ápice de uma tristeza que se aproximava sorrateiramente.

Lendo um texto de meu amigo Octavio Caruso (www.facebook.com/octavio.caruso1?fref=mentions) resolvi escrever, também instigada por outro caro amigo, sobre minhas preocupações com Lula e sua saúde mental.

Presenciamos em um só dia o circo armado por ele no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo dos Campos: incitando a violência; formando com corpos humanos um bunker para seu show e sua efêmera proteção; atacando a todos e a tudo; colocando seu próprio partido em risco; desobedecendo por mais de 24 horas uma decisão judicial, contra um sistema jurídico que ele mesmo ajudou a empoderar; seus gritos e gestual violento em momento que deveria ser de consternação durante uma suposta "missa" em intenção a sua falecida esposa; o tom e conteúdo de um longo discurso de vitimização: "provaria sua inocência", quando já tinha sido, investigado, julgado e condenado por duas instâncias jurídicas e condenado por mais de 12 anos, no primeiro dos 6 processos em andamento, cuja condenação foi legitimada por unanimidade pelo STJ e pelo STF; seu sorriso desafiador e irônico, virando-se e olhando para as câmeras quando da primeira vez que "tentou" sair da sede do sindicato; e, por fim, o semblante assustado ao sair do sindicato para se entregar a PF, avisado por seus advogados que sua situação complicava-se cada vez mais.

Da indignação que estava sentindo até aquele momento, irmanada com a maioria dos brasileiros, comecei a sentir certo incômodo que foi se traduzindo em preocupação humana. Lula estava doente, em surto psicótico.

Seu comportamento há algum tempo vinha se apresentado sob a forma daquilo que costumamos chamar de maníaca e que em psicopatologia definimos como uma defesa estruturada contra a depressão. 

Lula não estava triste como muitos que confiaram nele e em sua promessa de esperança e até como os, como eu, nunca acreditaram ou aceitaram sua forma de governar e lidar com o bem público. Lula estava exultante, em elação!

Quando em situações que o sentimento adequado de tristeza (até pela injustiça que ele julga estar sendo submetido) é substituído pela mania (excitação extremada) o perigo é iminente se logo não se impor um tratamento. No cárcere, privado de liberdade, holofotes e atenção, personalidades como a de Lula correm um grande risco de suicídio. 
Lula é um líder carismático e homem inteligente de faro político aguçado, nesse sentido, admirável!

Espero que estejam dando a esse homem a devida atenção médica e psicológica. 

Não estou dizendo que sou contra sua prisão. Em certo momento até fui, pois tenho posição diversa sobre a pena aos crimes de colarinho branco, mas o escárnio foi tão grande por parte de Lula e parte importante de seu partido que mudei de ideia, um tempo na prisão em cárcere é merecido por respeito a tantos brasileiros.

Estou dizendo que Lula está muito doente e sua defesa radical contra o desmoronamento psíquico (lembremos que ele é um resiliente, um sobrevivente que subiu ao mais alto posto de uma Nação) pode ser o ato extremo de tirar a própria vida "para se proteger do aniquilamento psíquico" e se vingar de todos que ousaram pensar diferente dele. Vivemos tempos difíceis.

*Psicóloga e psicanalista

Eu sei , vocês estão tristes e magoados. Mas existe um consolo: Lula é uma ideia, lembram? Esse ser abstrato está livre na cabeça de cada...


Eu sei, vocês estão tristes e magoados. Mas existe um consolo: Lula é uma ideia, lembram? Esse ser abstrato está livre na cabeça de cada um. Olhando pela perspectiva dessa estranha metafísica consoladora, nazistas também dizem até hoje que Hitler está vivo. Mais: existe gente que tem certeza de que Elvis não morreu...

Dentro de nossa cabeça pode tudo. 

O problema é que Lula está hoje trancafiado numa cela. Pessoa física e jurídica. Essa questão não tem muito a ver com ilusões heroicas. O criminoso é um ser concreto.  Dentro da carceragem, certamente, terá regalias, mas não terá aquilo que mais gosta: platéia de zumbis. 

Todos sabemos que Lula gosta de ouvir a própria voz. Lá em Curitiba ele terá a chance de falar para as paredes. É possível que se canse. Se for inteligente começará a dialogar consigo mesmo. Qual a primeira pergunta que poderá fazer nessa hora? 

Onde foi que errei?

Se Lula chegar nesse estágio, dará um grande passo. Não precisa exteriorizar essa resposta nem usá-la para eventual delação (não é preciso delirar tanto assim). Basta que mergulhe em si mesmo, faça um striptease de sua onipotência, veja o corpo nu de sua arrogância e, ajoelhado (metaforicamente), peça perdão pelo mal que causou ao País (isso seria pedir demais?) e pelos erros que induziu milhares de pessoas inocentes e ignorantes a acreditarem em seu ilusionismo populista e demagógico. 

Criar uma legião de crentes e fanáticos tem seus riscos. Eles perdem sua individualidade e senso crítico e estabelecem uma relação de unicidade com o líder, abandonando o sujeito autônomo que funda o chamado livre arbítrio e o substitui pela divindade que os levarão ao paraíso. 

Seitas de malucos existem em todo o mundo e são estudadas com interesse.

A liberdade de espírito – algo tão caro a Hegel, Marx, Nietzsche, Freud e tantos outros – é suprimido nesses momentos por uma esfera lateral do pensamento e adquire aquilo que se chama "totalidade da ideia", ou ideologia (uma variante da fé fervorosa), para explicar todos os fatos e atos humanos ( até a cor do cocô do cavalo do bandido). 

Penso que os companheiros devem comemorar a interdição do grande líder messiânico. Ele lhes dará a chance para se libertar da prisão mental em que há muito tempo estão trancafiados. 

Não existe melhor momento para se reinventar do que esse: enquanto Lula tira umas pequenas férias em Curitiba, é uma boa hora para pensar com a própria cabeça, mudando a sintonia para outras ondas, tentando enxergar que o mundo é complicado demais para ficar cultuando ídolos com pés de barro.

Abraços e saudações democráticas

Abril é o mais cruel dos meses. Mas a história da prisão de Lula começou há muito tempo.  Na cadeia de eventos talvez o momento ori...


Abril é o mais cruel dos meses. Mas a história da prisão de Lula começou há muito tempo. 

Na cadeia de eventos talvez o momento originário, que se desdobrou nos fatos deprimentes a que assistimos nesta sexta-feira, deu-se quando Lula entrou em processo de simbiose com o PT e adotou o populismo como postura comportamental para galvanizar as grandes massas. 

Uma das bases dessa política popular de inserção nas camadas excluídas da sociedade era a adoção de uma diferenciação elementar de postura diante das iniquidades sociais: sensibilidade com a pobreza, programas de base reformista (à esquerda) para que o Estado resolvesse a questão das desigualdades e – mais importante do ponto de vista simbólico – ética na política. 

O PT chegou ao poder carregando o sentido de esperança para as massas e para aqueles que sonhavam numa alteração de paradigmas para provocar rupturas com os principais vícios históricos da formação nacional: acabar com privilégios das oligarquias, extirpar o patrimonialismo, detonar a influência do compadrio nas altas esferas do poder e, finalmente, combater com vigor uma corrupção arraigada que subtraia parte da renda nacional para privilegiar os grupos habitantes do topo da cadeia alimentar. 

O esforço a que se propunham Lula e o PT era louvável, mesmo não sendo exequível, o que fortalecia a desconfiança de que tudo era falso e demagógico. 

Mesmo assim, o povo se encantou e os governos Lula 1-2 e Dilma 1 foram um sucesso. 

Lateralmente, no decorrer desse processo, aconteceu um fato que passou praticamente despercebido – e que hoje se tornou fundamental para compreender o que está se passando ( sem embargo das crises econômica e política). 

Sub-repticiamente, o Judiciário renovou-se e se emponderou. Nada mais natural que isso acontecesse ao longo do tempo porque foi exatamente esse caldo de cultura que o PT propagou na sua longa jornada na conquista do poder, o que terminou abrindo espaço para uma justiça sensível aos reclamos políticos (hoje tão criticada pelos garantistas), com certos pendores populistas. 

Nesse campo, o PT se revolta contra o monstro que criou, e reivindica uma volta aos tempos dos privilégios conservadores.


O Partido queria uma nova Justiça, ajustada aos conceitos propalados de poder. Só esqueceu de combinar com promotores e juízes que tudo era apenas marketing, uma brincadeirinha para enganar o povo.

Por isso, nesse momento, não cabe o partido e Lula reclamarem de nada  simplesmente porque sua agenda originária está sendo cumprida. 

Ou seja, o combate aos grandes males que infelicitam o País, que os Moros, Barrosos e Cármens Lúcias etc, propagam todos os dias. 

O Judiciário cumpre o roteiro estabelecido com a ascensão da “classe trabalhadora ao poder”. 

O PT se esqueceu disso. E agora não adianta reclamar, quebrar, queimar e  propor “guerra civil”.



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