A TV morena noticiou agora à noite que a Coligação "Juntos Por Campo Grande", que apóia a candidatura de Rose Modesto, conseg...


A TV morena noticiou agora à noite que a Coligação "Juntos Por Campo Grande", que apóia a candidatura de Rose Modesto, conseguiu proibir na justiça a divulgação dos resultados da ultima pesquisa IBOPE. 

As razões alegadas para que fosse concedida essa medida liminar não é conhecida inteiramente, mas de qualquer modo isso causa impacto negativo em qualquer campanha. 

O eleitor que recebe essa informação - esteja de que lado for, torcendo para qualquer um dos candidatos - saberá, por dedução, que ninguém, em sã consciência, pede para proibir um levantamento que lhe seja favorável, ou que sinalize que se esteja em condições de disputar um segundo turno. 

Por maior que seja a boa vontade de qualquer analista político com a candidatura tucana, sabe que esse fato acende uma luz amarela em qualquer campanha. 

O eleitor médio que está boiando no torvelinho de inúmeras pesquisas, com números díspares emanados de todos os lados, deve estar perguntando aos seus botões: ué?, que diferença faz nessa altura do campeonato mostrar quem está na frente ou atrás se, por princípio, todos os levantamentos são falsos?

Se eu fosse simpatizante de Rose ficaria preocupado com essa proibição da pesquisa IBOPE porque o impacto de tal notícia demonstra que ela se encontra em péssima posição, tornando inclusive inútil a divulgação dos números. 

A campanha de Rose agora passa a lutar contra a imaginação das pessoas porque todo número contra ela torna-se crível. Quem está confiante de que vai para o segundo turno jamais poderia pedir na justiça a proibição de uma pesquisa praticamente na boca da urna. 

A lógica embutida na cabeça das pessoas é uma só: a proibição representa - verdadeiramente ou não - o prenúncio da derrota. 

Todo final de campanha vira uma carnificina moral . Tem-se a impressão de que a maioria dos candidatos fazem uma descarga histérica , jo...


Todo final de campanha vira uma carnificina moral. Tem-se a impressão de que a maioria dos candidatos fazem uma descarga histérica, jogando todos os supostos podres de seus adversários no ventilador. O jogo torna-se sórdido. 

Durante a campanha, quando a tutela do judiciário pode trazer riscos para atos ilícitos e violentos contra os candidatos, todos se comportam como anjos. A bondade e as boas intenções são motes de campanha. 

Na última semana, contudo, abre-se o portal do inferno. Todos resolvem mostrar o pior de si. 

Aproveitam as dificuldades  para que sejam alcançados pela lei - pois todas as demandas judiciais serão solucionadas depois da votação -  e aproveitam o momento para transgredir à vontade. 

A sociedade é inundada com farto material denuncista. Ninguém escapa. 

Parece que há uma natural regressão aos instintos primitivos, fruto do recalque de muitos dias, que explode como necessidade vingança, para mostrar que somos feitos do mesmo barro, ou seja, ninguém presta e ninguém vale a alfafa que come. 

Claro que não há nenhuma consideração pela inteligência do eleitor(a). A cacofonia gera muita espuma. Termina tudo voltando ao grau zero e o efeito na consciência termina sendo quase nulo. 

Mas qual a razão de as coordenações de campanhas optarem por essa linha de combate exatamente nos últimos dias antes do pleito?

Acredita-se que denegrir a reputação do adversário - sem medo da punição judiciária de imediato - ajuda muito esse tipo de afrouxamento dos sentimentos morais de cada um. Se isso resulta em votos, ainda é uma tese em busca de comprovação científica.

Se a justiça fosse mais rápida e eficiente e houvesse mecanismos legais - que não ferissem a presunção da inocência - isso talvez não acontecesse. 

Aparentemente libertados de regras e de senso punitivo todos tornam selvagens. 

E assim trafegamos nesse momento crucial da democracia entre a civilização e a barbárie.

Hitler dá risadas  em seu túmulo

"Às vezes a democracia brasileira retrocede aos tempos da República Velha. Acordos submersos entre parcela das elites parlamentar...



"Às vezes a democracia brasileira retrocede aos tempos da República Velha. Acordos submersos entre parcela das elites parlamentares, em conluio com outros poderes, revelam que quando imaginamos estar seguindo em frente, no rumo da modernidade, tem gente se esforçando para dar dois passos para trás. 

Foi esse o caso da articulação de bastidores para tentar anistiar os políticos envolvidos na Lava Jato, que teve a participação de líderes e integrantes dos principais partidos da Câmara dos Deputados, mas que acabou barrada principalmente pela resistência de pequenas agremiações.

Esse caso mostra que uma expressiva parcela de nossos deputados e senadores ainda não compreendeu o que está acontecendo no País real. Manobras como essa – caso fossem bem sucedidas – mostrariam à sociedade que o Brasil tornara-se um lugar inviável para se viver. 

Nunca é demais repetir que viver num Estado Democrático de Direito, visando trabalhar para o fortalecimento das instituições, é muito complicado e que demanda um grande desprendimento pessoal. Há que se acostumar com outra mentalidade. Não há espaço para “golpes” como esse. 

Fenômenos que foram se tornando, desde o século passado, usos e costumes das classes políticas, na emersão de uma sociedade aberta, novos tempos, são vistas com indignação e revolta. Não se aceita mais com passividade acertos corporativistas, patrimonialismo escancarado, uso de caixa dois em eleição, prepotência e abuso de poder. 

Os cidadãos estão à flor da pele com sentimentos que lhes apontam o que é justo, o que é razoável e o que é inaceitável nas relações do Estado, em suas várias dimensões, com o conjunto da sociedade. 

O que mais chama a atenção é que mesmo com um País em crise, vivendo extrema precariedade em seus sistemas de saúde, educação, segurança pública etc., os brasileiros e suas entidades de representação se mostram à frente de seus políticos. Devia ser o contrário, mas estranhamente percebe-se no múnus social mais autenticidade e compromisso do que com a grande maioria das autoridades. 

Essa inversão de valores – sobejamente exemplificada nessa canhestra tentativa de obter vantagens legais no escurinho do cinema – precisa ser amplamente debatida para que se transforme numa peça pedagógica que, com o tempo, modifique a cultura política brasileira. 

Há muita descrença e desesperança. Precisamos promover o diálogo necessário para reencontrar a paz e a recuperação gradual de nossa economia. Qualquer sinal de retrocesso abala a crença de que podemos reconstruir o País sob o pressuposto de valores éticos. 

Estamos no limite entre a necessidade premente de consolidar nossas instituições e a permissividade das vontades exclusivas para manter o atraso. A vontade geral tem que prevalecer. Queremos um País melhor pra viver".

*presidente da OAB/MS

O debate na TV Morena foi chatíssimo . Terminou de madrugada. Certamente, nesse horário, a audiência deve ter sido traço, quase nada.  ...


O debate na TV Morena foi chatíssimo. Terminou de madrugada. Certamente, nesse horário, a audiência deve ter sido traço, quase nada. 

Além de assessores de imprensa, jornalistas e abnegados pela política quem mais se disporia a ficar até a 1 da manhã assistindo candidatos falando com tempo cronometrado?. 

Como há muitas regras, elas tornam o programa cansativo. Não aconteceu nada surpreendente. Claro, houve estocadas de lado a lado, críticas sobre contradições políticas de cada candidato, enfim, nada que pudesse alterar o rumo da eleição.

Muita gente não vai gostar da minha avaliação, mas terei que falar sobre o que vi e ouvi: Bernal se saiu bem (tem experiência como radialista e sabe ser manso na hora certa), seguido por Marquinhos Trad (levemente contundente e impositivo, mas na medida certa) e Marcelo Bluma (meio histriônico, mas espontâneo e com ideias claras).

Coronel Davi pareceu-me muito inseguro; Athayde só tinha um propósito: atacar Marquinhos, repetindo a história das relações funcionais na Assembléia Legislativa. Cansou um pouco. 

Rose parecia meio robótica. Houve quem suspeitasse de que estaria sendo monitorada por ponto eletrônico por causa dos cabelos sobre sobre as orelhas. 

Realmente, ela parecia que estava ouvindo um ditado por causa das frases entrecortadas, raciocínio blocado, forçando uma entonação artificial. Ela é melhor do que isso, quando está fora das mãos de marqueteiro. 

Sempre me pergunto: esse debate vai influir nas eleições de domingo? 

Pelo horário, pela chatice e pela falta de novidades muito pouco.

Uma das vantagens da campanha eleitoral é essa: o governismo sai da zona de conforto. Ontem, com o protesto dos produtores rurais em fr...


Uma das vantagens da campanha eleitoral é essa: o governismo sai da zona de conforto. Ontem, com o protesto dos produtores rurais em frente da governadoria - com participação de mais de mil pessoas - operou-se um milagre antes impensável: o secretário Eduardo Riedel escreveu um artigo para o Correio do Estado - "Protesto como instrumento de conveniência política" - tirando a cabeça do buraco, algo que até o momento nunca ousou fazer. Bravos! 

No subtexto da peça que produziu para a apreciação dos leitores transparece o pânico, visto que, pelas contas de Azambuja e seus capitães do mato, a manifestação seria um fracasso. Não foi. 

Nas entrelinhas, a pensata do secretário de Governo tem embutida ameaças sutis aqui e ali.

No fundo, essa manifestação pode até ser vista como uma provocação. Esses moços, pobres moços...

Sempre digo que o poder é uma bolha que tira desse pessoal a noção de mundo real. 

O artigo de Riedel é risível. Talvez fosse melhor um press-release. 

Só tem lorota. 

A primeira delas é sobre a questão das terras indígenas. 

Como há mais de 15 anos se fala, o governo está buscando soluções na esfera federal. Fácil, né?

Depois vem o problema com o programa novilho precoce. O secretário disse que está sendo remodelado. Chegou tarde a notícia. Ha controvérsias quanto a isso. 

Aí vem a conversa fiada do FUNDERSUL. 

Riedel diz que "o fundo mantem a direção da aplicação em melhorias para o escoamento da produção". 

Acho que ele não andou nas estradas vicinais do Estado. 

O quadro é caótico. E a maior parte dos recursos está sendo aplicada em obras urbanas. Os números do próprio governo mostram isso. 

No final, depois de celebrar o bom mocismo do governo, ele entra na propaganda deslavada, citando uma reportagem da revista Veja dessa semana, cuja pauta é o Ranking de Competitividade dos Estados. 

Segundo ele, Mato Grosso do Sul ocupa a quinta posição dentre as unidades mais competitivas do País, tendo ganho quatro posições desde 2014. 

A verdade é outra. Cito textualmente a revista: "Mato Grosso do Sul avançou graças ao salto dado em suas áreas fundamentais para o desempenho econômico: infraestrutura e capital humano. O estado atraiu investimentos importantes, como a Fibria na cidade de Três Lagoas, um projeto de 2,3 bilhões de dólares". 

Mas quando isso aconteceu? Em 2012, 2013 e 2014, quando o governador era André Puccinelli. 

Riedel esqueceu de registrar esse detalhe. 

É assim mesmo: o desespero muitas vezes leva-nos a fazer coisas apressadas, mandando os verdadeiros fatos às favas. 





Vejo no horário eleitoral gratuito vários candidatos falando sobre "nova" e "velha" política. Palavras vazias. É imp...


Vejo no horário eleitoral gratuito vários candidatos falando sobre "nova" e "velha" política. Palavras vazias. É impossível utilizar essa conceituação com um sistema partidária e eletivo carcomido como o nosso. 

Não é crível que seja viável criar algo novo dentro do fosso político brasileiro.

O candidato pode ser jovem, novato na disputa, com ideias inovadoras, mas o processo que o envolve está envelhecido. 

Nada que é gestado dentro da cloaca do sistema partidário que vige na atualidade pode produzir relações modernas de representatividade, com pessoas livres de vícios antigos, que inclusive possam ter interesses verdadeiros em fazer mudanças por dentro caso sejam eleitas. 

Quem está participando da campanha eleitoral aceita as regras como elas são e, uma vez dentro da estrutura de poder, jamais moverá uma palha para modificá-lo. 

Portanto, falar em "nova" política nada mais é do que cinismo e mentira. 

A velha demagogia está escancarada para todo mundo ver. 

Os eleitores vão permanecer presas fáceis de chavões e slogans vazios por muito tempo. 




Segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral, Rose Modesto foi a candidata que registrou os maiores gastos até o momento: R$ 2,832 m...


Segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral, Rose Modesto foi a candidata que registrou os maiores gastos até o momento: R$ 2,832 milhões, o que representa 61% do que foi gasto até o momento por todos os candidatos, que, juntos, somaram R$ 4,573 milhões.

Apesar disso, Rose continua em segundo lugar nas pesquisas, com Alcides Bernal (PP) no encalço, de acordo com a margem de erro.

Só para ter um exemplo, o último Ibope apontou Marquinhos com 41%, Rose com 22% e Alcides Bernal (PP) com 15%. 

Coronel David (PSC) aparece com 3%, e Alex do PT, Rosana Santos (PSOL), Athayde Nery (PP) e Marcelo Bluma (PV) com 1%.

Segundo o Ibope os candidatos  juntos têm 63% da intenção do eleitorado contra 22% de Rose.

Se eleição fosse um negócio empresarial a candidata do PSDB seria um péssimo investimento. 

A pastora Janete Morais - maior investidora de Rose - jogou dinheiro pela janela. 

Ela gasta muito e o retorno é baixo. 

Tem alguma coisa errada aí.

Produtores rurais do Movimento dos Produtores Independentes fazem hoje manifestação na frente da governadoria. O protesto está provocand...


Produtores rurais do Movimento dos Produtores Independentes fazem hoje manifestação na frente da governadoria. O protesto está provocando uma cisão inédita no setor. 

De um lado, Governo, Famasul e Acrissul. De outro, centenas de ruralistas que não aceitam mais os rumos políticos adotados por Azambuja e seu secretariado. 

Trata-se de algo inédito em Mato Grosso do Sul. 

Uma  notícia publicada hoje com destaque no Correio do Estado acendeu ainda mais os ânimos. 

De acordo com levantamentos oficiais, nos últimos três meses, o governo do Estado usou mais da metade dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) para viabilizar obras e projetos em áreas urbanas dos municípios. 

Informa o jornal que " entre 1º de junho e 26 de setembro mostra que o valor usado para tais ações supera em quase R$ 30 milhões o utilizado para a destinação original do tributo, que é para recuperação de áreas rurais".

Mais: "no período, foram contabilizados R$ 156.765.237,63 utilizados do fundo e destinados a contratos de obras e serviços tanto urbanos quanto rurais. Desse total, 59,2% ou R$ 92.792.741,87 fora reservados para pavimentação asfáltica de bairros de diversos municípios ou para compra de peças de caminhões e tratores, por exemplo".

Para o Governo, essa movimentação toda tem a ver com o momento eleitoral. Pode ser. Mas transborda por todos os cantos os erros do atual governo em várias áreas. 

Azambuja ainda mantém uma postura arrogante porque foi colocado numa bolha de fantasia por alguns dos secretários mais próximos. Eles ainda olham com desprezo as críticas e manifestações contrárias. Até quando?

O criador de problemas Você sumiu, anda fazendo o quê?, perguntei. "Ah!, eu crio problemas", respondeu sem sorrir.  Fiqu...


O criador de problemas

Você sumiu, anda fazendo o quê?, perguntei. "Ah!, eu crio problemas", respondeu sem sorrir. 
Fiquei sem referência e ele continuou: "crio problemas de várias espécies, diferentes tamanhos". 

Fiquei calado, esperando:"tem muita gente interessada na minha criação, antes criava só problemas meus, agora aceito problemas alheios. Tem só a questão do pedigree", enfatizou. Pedigree? Foi a única coisa que consegui dizer. 

Ele não perdeu tempo: "isso, só problemas de origem, geneticamente complicados, os quais eu apuro a raça". Eu não queria acreditar que o cara estivesse falando sério, mas não me atrevi a dizer alguma coisa até ele me perguntar: "você tem algum problema do qual não gosta e queira se livrar?, mas tem que ser de boa qualidade, nato, de preferência encorpado". 

Eu tenho muitos problemas, respondi, mas são problemas sem importância, não vão servir pra sua criação. "Se você não tem certeza, eu não quero", disse ele na bucha, se virou e foi embora. 

Fiquei ali parado e sai em seguida atrás das minhas reflexões que corriam um pouco mais adiante. Tinha uma porrada de problemas pra resolver antes do banco encerrar o expediente.



PENSATA

VOTAR EM CANDIDATO FICHA SUJA É HÁBITO DE QUEM UTILIZA PAPEL HIGIÊNICO DUAS OU MAIS VEZES DEPOIS DE USADO.

EXCLUSIVO: Advogados investigam por conta própria e revelam que MPE “esqueceu” de citar alguns personagens, revelando documentos de emp...


EXCLUSIVO: Advogados investigam por conta própria e revelam que MPE “esqueceu” de citar alguns personagens, revelando documentos de empresa de consultoria de ex-secretário de Governo de Gilmar Olarte.

Escritórios de advocacia que defendem vários investigados da Operação Coffee  Break decidiram averiguar por conta própria algumas contradições que se evidenciam ao longo do processo. 

Na leitura de mais de 12 mil páginas da Operação, vários personagens que atuaram no núcleo central dos acontecimentos foram deixados de fora, sem explicações convincentes. 

O caso da atual vice-governadora Rose Modesto é o mais proeminente. Há inúmeras gravações de intercepção telefônica autorizadas pela justiça que a colocam como integrante ativa na queda de Alcides Bernal e na ascensão de Gilmar Olarte na prefeitura. 

Ela nega sua participação em esquemas de corrupção e tem argumentado que a falta de provas e ausência de denúncias do MPE são demonstrativas de sua inocência. 

Mas o assunto incomoda. Tanto que ela usou ontem o tempo do programa do horário eleitoral gratuito para insistir que o tema é mera exploração política.  

Mas investigações independentes mostram que Rose estava no centro das articulações políticas que favoreceram Olarte. Além dela, o ex-vereador e hoje deputado federal pelo PSDB, Elizeu Dionízio, também figura como personagem ativo no processo de queda de Bernal e apoio à gestão de Olarte.

Mas o que mais chamou a atenção dos advogados foi a ausência de citação do Secretário de Governo de Olarte, Rodrigo Gonçalves Pimentel. Seu papel foi minimizado ao longo das investigações e, no final, ele nem foi citado. 

A ausência de seu nome foi um dos destaques na peça de defesa do vereador Airton Saraiva, produzida pelo advogado Fábio Trad, que estranhou o fato de que as principais decisões tomadas pelo ex-prefeito aconteciam em uma chácara de propriedade de Rodrigo. 

De acordo com as investigações paralelas a não citação de Pimentel no escopo da denúncia causou “estranheza”. 

No levantamento inicial, os advogados solicitaram documentos públicos (de livre acesso a qualquer cidadão) na Junta Comercial do Estado e descobriram o seguinte: (DOCUMENTOS EXCLUSIVOS: ALTERAÇÕES CONTRATUAIS DA EMPRESA RGP & SHORP QUE REVELAM FATURAMENTOS ANORMAIS AO LONGO DE 5 ANOS) 

Em outubro de 2010, Rodrigo Pimentel e sua esposa constituíram uma empresa de sociedade limitada para prestação de serviço de consultoria. 

Essa empresa, de nome RGP & SHORP Holding e Participações Ltda, propunha fazer “prestação de serviços de consultoria e assessoria de cobrança extrajudicial e informações cadastrais, prestação de serviços combinados e apoio administrativo às empresas”.

Enquadrada como microempresa o capital social foi estabelecido em R$ 10 mil por cotas de 5 mil para cada sócio. 

A empresa de Rodrigo dormitou até 2014. 

No dia 14 de março daquele ano, coincidentemente no mesmo dia em que Rodrigo assumiu oficialmente a articulação política do prefeito Gilmar Olarte, a RGP fez a primeira alteração contratual na Junta Comercial, que passou a chamar RGP & SHORP Empreendimentos e Participações LTDA-ME.

Ao mesmo tempo, fez um aumento do capital social para R$ 200 mil, sendo que R$ 190 mil tinha origem em “reserva de lucro”. A divisão societária, então, ficou dividida em R$ 199 mil para a esposa e R$ 1 mil para Rodrigo. 

No currículo do novo secretário apresentado para divulgação na imprensa apenas constava que ele era sócio de um escritório de advocacia, nunca tendo sido mencionado uma empresa de consultoria especializada.

Em 16 dezembro daquele ano, foi modoficada a razão social da empresa – passando a se chamar RGP & SHORP Empreendimentos e Participações -  e fazendo uma alteração de capital para R$ 1, 36 milhão. 

Foram integralizados R$ 800 mil em dinheiro e um veículo Jeep Cherokeer LDR. Desse total, R$ 999 mil passaram a pertencer à esposa de Pimentel e R$ 362 mil para ele.

Assim, em 02 de junho de 2015, ou seja, 15 meses depois, Rodrigo anuncia que “sem conseguir conciliar projetos pessoais com suas funções na Prefeitura de Campo Grande”, decidira deixar o primeiro escalão do prefeito Gilmar Olarte(PP) e voltar à iniciativa privada.

Passados 24 dias, em 26 de junho, a empresa de consultoria RGP & SHORP, realiza nova alteração contratual na Junta Comercial, aumentando o valor das cotas para R$ 2, 577 milhões, uma elevação de mais de 20 vezes em 15 meses, coincidindo exatamente com o período em que esteve exercendo cargo público no primeiro escalão de Olarte. 

A integralização desse capital teve R$ 690 mil em dinheiro vivo e o restante (cerca de R$ 1,887 milhão) em imóveis. 

Passados 5 meses, em novembro do mesmo ano, dia 30, a empresa fez nova alteração e consolidação contratual elevando o capital social para R$ 3,9 milhões (dinheiro e imóveis), alterando ao mesmo tempo o quadro societário, onde entram como participantes da empresa a mãe o os filhos menores de 

Rodrigo, além da esposa. 

Ou seja, uma elevação de 156% no capital social RGP. 

Enfim, esse é o quadro vem causando estranheza. Essa movimentação financeira da empresa de consultoria devia ser algo que poderia ter sido investigado pelo GAECO e MPE, dadas as circunstâncias das denúncias e o cargo de relevância ocupado por Rodrigo Pimentel.

Nada foi feito. Mesmo que fosse para inocentá-lo de suspeitas sobre as estranhas movimentações financeiras de sua empresa.

Os advogados consideram que a empresa RGP & SHORP pode ter obtido lucros consideráveis com a prestação de serviços regulares e efetivos, mas questionam a licitude de ter começado a crescer quando Rodrigo era sócio efetivo, configurando sérios conflitos de interesse, visto que crescimento vertiginoso de sua empresa deu-se quando ele ocupava uma das secretarias mais importantes da prefeitura. 

“O Ministério Público devia ter olhado esse assunto mais a fundo, pois bastava um pedido à Junta Comercial, algo até trivial em qualquer investigação, visto que a parte citada tinha grande influência política e econômica na prefeitura da Capital”, afirma.

Nesse sentido, segundo um dos advogados, o MPE pode ter “prevaricado”, ou seja, deixou de cumprir com seu papel em relação a um personagem importante e fundamental de todo o processo. 

O mesmo pode ter acontecido com Rose Modesto e Elizeu Dionizio. “É evidente que sobressai forte impressão de que o MPE agiu, nesse caso, seletivamente, preservando alguns interesses e e dando publicidade a outros”, finaliza. 







No debate do SBT de ontem à noite , o candidato do PPS à prefeitura de Campo Grande, no momento em que foi escalado para fazer a inquiri...


No debate do SBT de ontem à noite, o candidato do PPS à prefeitura de Campo Grande, no momento em que foi escalado para fazer a inquirição de Marquinhos Trad, levantou a denúncia mais comentada da reta final das eleições desse domingo. 

Ele questionou seu adversário sobre o cargo em que fora nomeado na década de 80 no gabinete de seu pai, então deputado Nelson Trad. Na época não havia legislação que proibia parentes próximos de exercer cargos comissionados na mesma instituição pública.

Athayde bateu pesado: acusou Marquinhos de ser funcionário fantasma, visto que quando exercia tal cargo era ao mesmo temnpo estudante no Rio de Janeiro. 

Horas antes, o assunto já estava bombando nas redes sociais. 

A denúncia obrigou o candidato a buscar hoje na Assembleia Legislativa e no Ministério Público Estadual atestados para demonstrar que tudo era apenas espuma eleitoral e que sua relação funcional está totalmente amparada pela Constituição.

O tema causou desgastes à campanha de Marquinhos, mas também trouxe um efeito colateral para Athayde, visto que revelou claramente seu alinhamento com a candidatura tucana Rose Modesto de maneira totalmente aberta. 

Tanto Marquinhos como Athayde  tiveram perdas de imagem. Como isso vai impactar nos resultados eleitorais ainda é um mistério. 

A cúpula do PPS manteve-se hoje recolhida, avaliando o cenário, porque muitos desconheciam essa jogada final de seu candidato, que pode causar mais desgaste futuro para o partido do que ganhos imediatos. 

Independentemente disso, a militância tucana está tentando fortalecer a onda. 

Vai funcionar? Não se sabe. 


Qual o papel do governador Reinaldo Azambuja nas ações da polícia em vários municípios do Estado em campanhas eleitorais?. Ele tem part...


Qual o papel do governador Reinaldo Azambuja nas ações da polícia em vários municípios do Estado em campanhas eleitorais?. Ele tem participação nesse processo?. Ele tem conhecimento e tem se omitido?. Afinal, qual sua posição pública em torno desses fatos de gravidade institucional extrema?

 Em Iguatemi, em Bonito, Jardim e Águas Claras - pelo que se sabe até o momento - a polícia tem agido de maneira truculenta para impedir que opositores ao PSDB possam atuar livremente em campanhas eleitorais. 

Até a deputada Graziele Machado denunciou recente intimidação e foi ameaçada de fazer campanhas nas ruas de municípios do interior. 

Convenhamos, Graziele não é uma radical muito menos uma pessoa agressiva politicamente falando. Mesmo assim, para se proteger da polícia teve que fazer boletim de ocorrência, além de ter recebido ameaça de morte.

Disputas locais sempre existiram. Em pequenos municípios, onde os grupos antagônicos se conhecem entre si, trata-se do evento mais natural do mundo. 

Mas essa é a primeira vez que tenho notícias da presença policial interferindo diretamente em nome do partido que está no Governo para impedir a livre manifestação da vontade de eleitores. 

Nesse aspecto, estamos vivendo uma regressão. 

Se o governador não tem conhecimento de como nascem essas maluquices é necessário que ele determine uma rápida intervenção junto ao secretário de Segurança Pública para colocar ordem na bagunça. 

Se ele permite que a polícia seja aparelhada dessa maneira, convém informar mais uma vez que estamos vivendo uma democracia. 

Se algum personagem de proa de seu governo tem alguma relação perversa com a ditadura - e age nas sombras, como afirmou ontem o deputado Flávio Kayatt, em sessão na Assembléia Legislativa - é preciso rápida intervenção para impedir que o pior aconteça. 

O mais engraçado nessa história é observar o comportamento dos parlamentares do PT. Antes tão combativos, agora todos em silêncio, guardados no bolso do governismo. Impressionante. 

A situação é grave. Se o governador não participa desses arreganhos ditatoriais deve esclarecer a sociedade, antes que a mera suposição se confirme - pelo silêncio e omissão - em fato concreto.

Dessa vez estavam todos lá : o homem de Malboro, o engenheiro, o ecologista, o policial, os socialistas de brinquedo, a morena mais bon...



Dessa vez estavam todos lá: o homem de Malboro, o engenheiro, o ecologista, o policial, os socialistas de brinquedo, a morena mais bonita do Brasil, os pastores, os perseguidos, enfim, os 15 candidatos a prefeito de Campo Grande, num programa pouco atrativo, embora elucidativo sobre o que cada um representa nesse momento eleitoral. 

Tenho dúvidas sobre o que restará na memória de quem conseguiu assistir até o final. Em alguns momentos mudei de canal. Em outros, senti vergonha alheia. E houve uma hora que dei risadas porque a coisa resvalou para a comédia bruta. 

Terminado o programa, tentei espremer o sumo. Juro: não aprendi nada, só confirmei a minha tese do início da campanha eleitoral. Eram três candidatos reais com 12 transitando entre o laranjal e a completa boçalidade. Dá dó da cidade. 

O grande laranja da noite foi o nosso Athayde Nery. Substituiu alegremente Alex do PT do debate anterior do Midiamax. Jogou o jogo do governismo. Garantiu o emprego para a próxima temporada. Azambuja deve ter sorrido feliz. 

Antes mesmo dele fazer a pergunta fatal para Marquinhos Trad sobre um emprego sem concurso que ele teria na Assembléia Legislativa - ué, ele não é deputado estadual? - a rede tucana já estava bombando na internet piadinhas sobre o assunto. 

Se tudo não tivesse sido combinado antes, seria lindo, mas esse pessoal não consegue nem fazer conspiração e maldade profissionalmente. 

Mesmo assim, mais uma vez, acho que esse debate não influenciará muita coisa no resultado das eleições. 

Essa é minha opinião. Nunca se sabe. 


Vamos ser honestos? A democracia não é o melhor regime político. Você sabe disso. As maiorias, muitas vezes, elegem governos incompeten...


Vamos ser honestos? A democracia não é o melhor regime político. Você sabe disso. As maiorias, muitas vezes, elegem governos incompetentes, mentirosos, corruptos. Até autoritários. Devemos conceder o direito de voto a quem não tem inteligência suficiente para escolhas responsáveis?

O cientista político Jason Brennan defende que não. O livro, que provocou polêmica nos Estados Unidos, intitula-se "Against Democracy" ("contra a democracia"). Não é um panfleto populista contra o populismo circunstancial de Donald Trump. É um estudo acadêmico com toneladas de bibliografia científica.

Tese do dr. Brennan: em todas as pesquisas disponíveis, os eleitores americanos são comprovadamente ignorantes sobre os assuntos da República. Desconhecem coisas básicas, como identificar qual dos partidos controla o Congresso. Para usar a terminologia de Brennan, a maioria dos eleitores se divide em "hobbits" e "hooligans".
Os "hobbits" são apáticos, apedeutas, raramente votam –e, quando votam, votam com a cabeça vazia.

Os "hooligans" são o contrário: fanáticos, como os torcedores do futebol, defendendo os seus "clubes" de uma forma irracional, ou seja, tribal. É possível perguntar a um "hooligan" democrata se ele concorda com uma política de Bush e antecipar a resposta. (É contra, claro.)

E depois, quando o pesquisador comunica ao "hooligan" que a referida política, afinal, é de Obama, o "hooligan" muda de opinião; ou afasta-se; ou indigna-se. Como dizia T. S. Eliot sobre Henry James, a cabeça de um "hooligan" é tão dura que nenhuma ideia é capaz de violá-la.

O eleitor ideal, para Brennan, é um "vulcan": alguém que pensa cientificamente sobre os assuntos. Mas os "vulcans" são artigo raro. Em democracia, somos obrigados a suportar as escolhas de "hobbits" e "hooligans".

Felizmente, Jason Brennan tem uma solução: se as pessoas precisam de uma licença para dirigir, o mesmo deveria acontecer para votar. "Epistocracia", eis a proposta. O governo dos conhecedores. Antes de votar, é preciso provar.

Existem vários modelos de epistocracia. Dois exemplos: todos teriam direito a um voto e depois, com a progressão acadêmica, haveria votos extra; ou, em alternativa, só haveria votos para quem tivesse boa nota em exame de política. Faz sentido?

Não, leitor, não faz. Seria possível escrever várias páginas de jornal a desconstruir o livro de Jason Brennan. Por falta de espaço, concentro-me na sua falha básica: Brennan, um cientista político, não compreende a natureza da política.

Como um bom racionalista, Brennan acredita que os fatos políticos são neutros; consequentemente, as escolhas do eleitor podem ser "científicas".

Acontece que nunca são: a política, ao contrário da matemática ou da geometria, lida com a complexidade e a imperfeição da vida humana.

Um "exame" de política, por exemplo, dependeria sempre das preferências políticas dos examinadores –nas perguntas e na correção das respostas. 

Brennan até pode defender perguntas "factuais" para respostas "factuais". Mas a simples escolha de certos temas (mais economia) em prejuízo de outros (menos história) já é uma escolha política.

Além disso, acreditar que diplomas acadêmicos conferem a alguém um poder especial em política é desconhecer o papel que os "intelectuais" tiveram nos horrores do século 20.

Ou, para não irmos tão longe, é ignorar o estado de fanatismo ideológico que as universidades, hoje, produzem e promovem.

Por último, não contesto que a maioria desconhece informação política relevante. Mas as pessoas não precisam de um Ph.D. para votarem. Basta que vivam em sociedade. Que sintam na pele o estado dos serviços públicos. O dinheiro que sobra (ou não sobra) no final do mês. A segurança que sentem (ou não sentem) nos seus bairros, nas suas cidades, nos seus países. E etc. etc.

Como lembrava o filósofo Michael Oakeshott, não se combatem ditadores com a balança comercial. Tradução: a política não depende apenas de um conhecimento técnico; é preciso um conhecimento prático, tradicional, vivencial. O conhecimento que só a experiência garante.

A democracia pode não ser o regime ideal para seres humanos ideais. Infelizmente, eu não conheço seres humanos ideais. No dia em que Jason Brennan me mostrar onde eles vivem, eu prometo jogar a democracia no lixo. 

*Escritor português e doutor em ciência política. 

Dois fatos envolvendo a polícia quase que subsequentemente em campanhas eleitorais não pode ser coincidência. Tudo muito esquisito. Va...



Dois fatos envolvendo a polícia quase que subsequentemente em campanhas eleitorais não pode ser coincidência. Tudo muito esquisito. Vamos aos fatos.

O primeiro em Iguatemi, na última sexta-feira, num comício em que o ex-governador André Puccinelli e o deputado federal Carlos Marun estavam presentes, quando aconteceu a invasão de um policial armado, que ameaçou a atirar no público ao ter recebido vaias. 

Suspeita-se que tenha sido ação estimulada pela candidatura do PSDB, conhecida por Dra. Patrícia. Ela disputa a prefeitura contra um candidato do PMDB.

O segundo, no município de Bonito, com a disputa entre um candidato tucano (Odilson Soares) contra outro do PR (Josmail). 

Nesse caso, a  irmã do candidato do PR foi levada à delegacia e obrigada a se despir para ser revistada devido a uma denúncia anônima de compra de voto. Estranho.

Por causa disso,  hoje o ambiente político em Campo Grande ferveu. 

O deputado Marun chamou o acontecimento em Iguatemi de "terrorismo", denunciando um claro aparelhamento do Estado para influir no resultado das eleições. 

O deputado Paulo Corrêa, governista até debaixo d'água, estava revoltadíssimo com o governador por ter identificado na ação em Bonito uso e abuso do poder público para "promover insegurança". 

Há tempos o blog denuncia esse viés fascista do atual governo do Estado, no qual os capitães do mato do governador estimulam essa prática de utilização da polícia para intimidar e ameaçar as liberdades e direitos dos cidadãos. 

Tem gente que pode pensar que isso é episódico. Garanto que não é. Fui vítima e testemunha disso.

Parece que ainda não foi incorporado pelo núcleo duro do governismo a ideia de que estamos vivendo numa democracia. 

A República de Maracaju parece adepta daquela velha frase do coronelismo local de que "se foi nóis que afundou é nóis que manda". 

Os dois acontecimentos no interior do Estado parecem fruto de uma mentalidade primitiva que está tomando conta de todo o Estado. 

Recentemente, o candidato do PPS de Campo Grande, Athayde Nery, identificou e revelou essa vontade "hegemônica" do PSDB de Azambuja  no sentido de dominar o cenário político. 

Tudo bem, essa talvez seja a lógica do poder dessa gente, mas não é preciso exagerar nem usar a polícia. 




O quadro político é de incertezas. Por enquanto, paira no ar a dúvida se haverá ou não segundo turno.  Essa mesma situação ocorreu...


O quadro político é de incertezas. Por enquanto, paira no ar a dúvida se haverá ou não segundo turno. 

Essa mesma situação ocorreu na eleição em que Nelsinho Trad (em 2004) quando ele tornou-se  prefeito pela primeira vez em Campo Grande. 

Seu antagonista da ocasião era o petista Vander Loubet. Nelsinho figurava com 43% das intenções de voto nas pesquisas e Vander Loubet 25%. Somando com todas as candidaturas havia a hipótese de dois turnos. Não deu. O novo prefeito foi eleito com 52% dos votos. 

Naquele tempo, faltando uma semana para o dia do pleito escrevi um editorial no Correio do Estado, analisando os levantamentos estatísticos, cravando a impossibilidade de haver ocorrência de dois turnos. O mundo quase caiu na minha cabeça. 

Se eu estivesse errado seria crucificado. Não fui. Daquela vez. 

Agora o quadro é outro, a sociedade é outra, o momento diverso. Não estou tão seguro para correr risco. Mas posso arriscar um palpite: se não acontecer um gravíssimo fato novo prejudicando Marquinhos Trad ele fecha o pleito no próximo domingo. 

A atual estabilidade da campanha o favorece. Ele só precisa expandir um pouco nas camadas médias para ter uma vitória mais tranquila.

Mas caso haja segundo turno, prefiro que vá Bernal.

 Imaginem que ele seja derrotado por Rose. E que ela vá ao segundo turno. 

Complicado: Bernal terá os meses seguintes, antes de transmitir o cargo para o próximo prefeito, tempo de sobra para bagunçar o coreto. 

Ele estará ressentido com a cidade. E nesses momentos não resistirá em deixar uma herança maldita para seu sucessor ou sucessora. 

Tremo só de pensar. 

Na dúvida, melhor Bernal para o segundo turno. 

No dia 15 de agosto o ex-prefeito Gilmar Olarte e sua esposa, Andréia Olarte, foram presos. Foi a primeira vez na história da cidade que...


No dia 15 de agosto o ex-prefeito Gilmar Olarte e sua esposa, Andréia Olarte, foram presos. Foi a primeira vez na história da cidade que tal fato aconteceu. 

O mundo político e jurídico começou a entrar em convulsão - os interesses envolvidos poderiam impactar a campanha eleitoral que estava em seu início. 

O que era para durar apenas 5 dias, começou a se arrastar e gerar pânico no casal e em muitos gabinetes do poder. Eles sabiam demais para ficarem guardados e esquecidos numa cela de cadeia. 

E foi assim que,  22 dias depois, Olarte mandou avisar ao poder incumbente que partiria para uma delação premiada. Desnecessário dizer que aquilo que, inicialmente, era pânico começou a se transformar em terror. 

Nas movimentações de bastidores, não se sabia direito o que fazer. Olarte estava disposto a contar tudo - ou seja, como foi a sua passagem pela prefeitura Capital, do começo ao fim - para, segundo consta, proteger sua esposa, que estava adoecida e pressionando fortemente o ex-prefeito e os advogados. 

Tudo isso aconteceu entre os dias 3 e 7 de setembro. No dia 8 Olarte assinou a renúncia da prefeitura, orientado que, perdendo o fórum privilegiado, seria julgado no juizado de 1ª Instância, escapando das mãos da Ministra Carmem Lúcia do STF. 

A coisa andou e a mídia arrefeceu depois de muita especulação. O governador Reinaldo Azambuja sentiu que o impacto desse processo prejudicaria a candidatura de Rose Modesto (dado o relacionamento próximo entre todos). 

Por vários dias o casal Olarte, Azambuja e Rose ficaram no meio do tiroteio. Daí sobressaiu a evidência de quem eram as pessoas interessadas em solucionar esse drama pessoal e político. Coisa de cinema. 

No dia 15 ( 7 dias depois)  houve distribuição das ações para a 1ª Vara Criminal, requerida pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Passos, em documento encaminhado ao juiz diretor do Foro da Comarca de Campo Grande.

Passos sabia que não podia dar bandeira. Todo cuidado era pouco.

Antes disso, cuidou que o pedido de revogação das prisões, que estava com o desembargador Luiz Claudio Bonassini, que aguardava a manifestação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MP-MS), constasse um parecer mantendo as prisões preventivas. 

Era muito forte a boataria de que Passos agia sob influência direta do governador.

Assim, 4 dias depois ( 19/09), o assunto foi parar nas mãos  juiz Roberto Ferreira Filho, que passou a analisar  o pedido de revogação das prisões de Gilmar e Andréia Olarte, do corretor de imóveis Ivamil Rodrigues de Almeida e do empresário Evandro Simões Farinelli.

O tempo seguiu e 9 dias depois, passados 43 dias,  Ferreira Filho finalmente concedeu o pedido, impondo as regras de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica e medidas restritivas de liberdade. 

Enfim, existe uma narrativa processual curiosa, muitas manobras de bastidores, mas a sociedade sul-mato-grossense continua sem saber o que realmente aconteceu, qual a verdadeira história que marca a trajetória de Olarte, da esposa e de dois laranjas, pela prefeitura da Capital. 

Será que isso será sabido nos mínimos detalhes um dia?


Juiz Roberto Ferreira Filho

No mundo ideal, pesquisas eleitorais serviriam para informar os eleitores sobre tendências em torno de preferências hipotéticas no dia ...


No mundo ideal, pesquisas eleitorais serviriam para informar os eleitores sobre tendências em torno de preferências hipotéticas no dia do pleito. Seria mais uma informação dentre tantas de uma campanha eleitoral. 

Ou seja, seria parte do mix que ajuda a formar conceitos: as propostas dos partidos e dos candidatos, o noticiário sobre o dia a dia de cada um, os debates entre os contendores, as reações e discussões nas redes sociais, enfim, dessa soma de elementos o eleitor poderia tomar sua decisão no dia do voto. 

Mas no mundo real sabemos que isso não acontece. Na maior parte das vezes, as pesquisas assumem um protagonismo fundamental nas variáveis existentes no processo eletivo. Seu propósito em muitos casos visa manipular o quadro da disputa em voga. 

Diante isso, torna-se até natural - não digo que seja moralmente aceitável - que levantamentos estatísticos sirvam confundir os sentimentos daqueles que vão escolher os candidatos no dia do pleito. 

Trata-se de situação complicada: se os números corroboram nossa preferência, concordamos com eles. Se contrariam, pronunciamos a fajutice invocando interesses escusos. Perde-se muita energia em discutir um tema acessório em detrimento do principal.

Entre a certeza e a dúvida, o eleitor perde-se num cipoal de palpites contraditórios. Esquece, por exemplo, a cidade em que vive e o que pode-se fazer para melhorá-la.

Como sempre, a Justiça Eleitoral não tem quadros técnicos que analisem pesquisas em profundidade. Basta preencher alguns pré-requisitos legais para que um instituto registre o levantamento e se autorize a divulgação. 

Algumas vezes, os departamentos jurídicos das campanhas identificam falhas procedimentais e conseguem suspender a divulgação de uma pesquisa ou outra. 

Mas a pergunta essencial sobre como se chegou àquele resultado, não dá pra saber direito. 

Existe ciência para isso - a estatística -, mas ela só alcança o objeto de seu estudo no momento instantâneo em que é realizada, ou seja, o momento eleitoral. 

Por isso, insistem em dizer que se trata de "fotografia de momento", isto é, o número de hoje não vale amanhã. 

Mesmo as notas técnicas que acompanham as pesquisas são obscuras, sujeitas a manipulações. Enfim, é um deus-dará combinado com seja-o-que-deus-quiser.  

O ideal seria que o TRE determinasse que todos os dados de uma pesquisa fossem disponibilizadas integralmente para conhecimento público. E haja também acompanhamento paralelos por amostragem para identificar possíveis erros de levantamento.

O que vai para a divulgação da mídia geralmente é uma fração dos resultados gerais, não possibilitando entendimento de como se desenha a tendência do voto. 

Por isso, enreda-se hoje, por exemplo, em Campo Grande, o debate se haverá ou não segundo turno. 

Cada um tem seu palpite, mas ninguém tem certeza de nada.

E dá-lhe briga...

Vários candidatos à prefeitura de Campo Grande estiveram na última segunda-feira na sede da OAB/MS para assinarem termo de compromisso ...


Vários candidatos à prefeitura de Campo Grande estiveram na última segunda-feira na sede da OAB/MS para assinarem termo de compromisso “com o empreendedorismo e combate à corrupção”. 

O documento contem 12 propostas, entre as quais redução da burocracia, programa de combate ao caixa 2 e corrupção, transparência, valorização de gestão participativa, até a criação de secretaria de empreendedorismo. 

Evento foi coordenado pelo presidente da Ordem Mansour Karmouche, com representantes de 45 entidades da sociedade civil. 

De acordo com Karmouche, o documento será uma referência de administração e uma carta de compromisso. “Vamos usá-la para futuramente cobrar o prefeito eleito”, afirmou.

Conheci Antônio Palocci à distância no movimento estudantil em São Paulo na década de 70. Digo à distância porque Palocci pertencia ao g...


Conheci Antônio Palocci à distância no movimento estudantil em São Paulo na década de 70. Digo à distância porque Palocci pertencia ao grupo Libelu (Liberdade e Luta), um gueto do pensamento radical da esquerda maluca, à qual não era possível se aproximar. 

Nas assembleias estudantis organizadas contra a ditadura, Palocci chamava a atenção pela altura, pela magreza e pelos cabelões exibidos para formatar discursos risíveis sobre a derrubada da burguesia nacional e implantação do socialismo de base trotskista no Brasil. 

Palocci era bom de argumento (apesar da língua presa), mas as ideias do grupo ao qual pertencia eram inaplicáveis em qualquer lugar do planeta. 

Lembro-me que a Libelu era formada por uma gente mimada, que usava roupas descoladas, boinas pretas, um lance alternativo que anunciava a chegada de uma nova era no pedaço em que vivíamos. Era exótico e cômico ao mesmo tempo. 

A esquerda tradicional queria liberdade política dentro das regras da democracia liberal, mas era um pouco conservadora nos costumes. 

A Libelu e a Convergência Socialista propunham quebrar isso com uma pauta mais libertária, uma mistura de Trotski com Marcuse. Eram esses os tempos loucos dos anos 70 e 80.

Suas propostas eram sempre recebidas com ironia, o que talvez tenha aumentado o isolamento político, transformando essas tendências de nossa esquerda numa seita contracultural, em que se pregava sexo livre, liberação da maconha, e uma espécie de liberou geral para assombrar e derrubar os milicos do poder. 

Tempos mais tarde, com a democratização do País e a formação de partidos regulares, a Libelu aderiu ao PT, formando uma daquelas microcélulas que orbitam a nave mãe em busca de espaço de poder. 

O resto é história. 

Palocci fez sua a guinada ao neoconservadorismo, saindo da ultra-esquerda e se transformando, talvez, no mais radical corrupto do petismo. 

Impressionante. E,convenhamos, uma trajetória e tanto. 

Por isso, sempre acho que por trás de todo radical de esquerda ou de direita, existe um canalha que não ousa dizer seu nome.


Nem bem começou a semana, as redes sociais - depois da prisão do ex-Ministro Antônio Palocci e mandados de condução coercitiva, inclusi...


Nem bem começou a semana, as redes sociais - depois da prisão do ex-Ministro Antônio Palocci e mandados de condução coercitiva, inclusive em Campo Grande - estão mostrando o melhor e o pior da humanidade. 

A mídia de um modo geral acompanha esse movimento. 

Todos somos cobrados de alguma maneira. 

Querem arrancar de dentro de nossa alma quem somos, com quem estamos, que interesses apoiamos, em quem vamos votar e assim vai... 

É praticamente impossível qualquer laivo de neutralidade. 

A demanda para que se encontre a nossa posição nesse cenário tão difuso parece atender desejos atávicos de conluios, repulsões, preferências e aderências. 

Se alguém se nega a ser explícito - até para não entrar de cabeça em brigas que não são suas - não adianta. As entrelinhas acabam dizendo muito mais do que você acha que realmente pensa e acredita. Como se diz, não basta provar, tem que ter convicão. 

Nesse momento até o silêncio revela sua personalidade mais do que seus barulhos externos e internos. 

Explicar é inútil. Posicionar-se livremente, impossível. Racionalizar o processo, perda de tempo. 

Por isso, achei as ideias do historiador belga David van Reybrouck, autor do livro "Contra as eleições: uma defesa da Democracia", em entrevista nas páginas amarelas de Veja, tentadoras. 

Talvez a melhor forma de escolher prefeitos e vereadores seja por sorteio. 

Erraremos menos.

Portal UOL Filho de Aurélio Cance, condenado no escândalo Sanansa (empresa de água da prefeitura de Campinas, em São Paulo), Thiago C...


Portal UOL

Filho de Aurélio Cance, condenado no escândalo Sanansa (empresa de água da prefeitura de Campinas, em São Paulo), Thiago Cance foi um dos alvos de condução coercitiva nesta segunda-feira, 26, na 35ª fase da Operação Lava Jato - batizada de Omertà.

"Especificamente em relação a Thiago Cance, verificou a autoridade policial que no endereço da entrega destinada a Thiago Cance, foi confirmada a existência de três hospedagens do investigado no ano de 2010, sendo que, em duas das três vezes, Thiago Cance deixou o hotel na mesma data de sua entrada, circunstância essa que reforça a convicção de que, de fato, a sua estadia no hotel tenha sido concretizada unicamente para receber os recursos ilícitos a ele destinados", informa a PF.


Editorial da Folha de S.Paulo pubicado na edição de hoje: A reforma do ensino médio do governo de Michel Temer (PMDB) não apresenta...



Editorial da Folha de S.Paulo pubicado na edição de hoje:


A reforma do ensino médio do governo de Michel Temer (PMDB) não apresenta inovações essenciais em relação a planos e diretrizes legais para a educação. No entanto, a medida provisória define prazos e, em tese, fundos que podem auxiliar a implementação de providências previstas no papel.

São três as mudanças de maior impacto. Estipula-se uma fonte de financiamento para auxiliar a expansão do ensino integral. Fixa-se um prazo para a diversificação e especialização dos cursos do ensino médio. Estabelece-se que o teor dos exames de admissão em faculdades deve seguir os assuntos definidos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em elaboração.

O Plano Nacional de Educação, de 2014, prevê que, até 2024, se ofereça educação em tempo integral em pelo menos metade das escolas, atendendo no mínimo 25% dos estudantes -ora 6% pelo dado mais recente, o Censo Escolar de 2015.

Segundo o plano Temer, o governo federal disponibilizará fundos para auxiliar essa transição, por quatro anos. Há controvérsia sobre a suficiência de dinheiro e a exiguidade do prazo. Trata-se, afinal, de aumento na carga horária, de 800 horas anuais (quatro por dia) para 1.400 horas (sete horas).

A diversificação dos cursos, por sua vez, constava de modo vago da Lei de Diretrizes e Bases, de 1996. Explicita-se agora que se devem oferecer cinco áreas de concentração em até dois anos depois de aprovada a base curricular.

A BNCC tomará metade das horas de aula. Na outra parte, os estudantes escolherão entre cinco "itinerários formativos" para se aprofundar: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação profissionalizante.

A mudança está em consonância com reformas de ensino ou práticas históricas em países de educação mais avançada. Permite a redução do número exagerado de disciplinas (13) e a oferta de um curso mais atraente para os jovens.

A medida provisória, porém, é confusa. Sugere que vários "itinerários formativos" talvez não sejam oferecidos, a depender de escolhas e recursos de cada Estado. Há risco, portanto, de oferta desigual de oportunidades.

Em outra frente, o plano dá fim à obrigatoriedade do ensino de educação física (decisão muito controversa, por questões de saúde), artes, filosofia e sociologia, mas o elenco final será determinado pela BNCC. A exigência de português, matemática, inglês e "o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política" é definida explicitamente.

Tudo somado, a medida baseia-se em debates faz anos em curso no Brasil. Parece uma versão enxuta da reforma que estava em tramitação. Ainda assim, valer-se de medida provisória para assunto tão delicado constitui ato no mínimo antipedagógico, se não inconstitucional, e causador de instabilidade nas escolas, pelo açodamento.

Um debate mais prolongado permitiria a correção de pontos obscuros da lei e a definição mais prática de meios de sua implementação. Como isso ainda pode acontecer no Congresso, trata-se de um bom começo de conversa -embora iniciado com um mau passo.

Em que pese o fato de o governador Azambuja (e seus capitães do mato) não serem os primeiros - e nem serão os últimos - a utilizarem os...


Em que pese o fato de o governador Azambuja (e seus capitães do mato) não serem os primeiros - e nem serão os últimos - a utilizarem os instrumentos do Estado (recursos, funcionários, veículos, espaço físico, polícia, fiscalização, etc, etc, etc) para influírem nas decisões eleitorais à medida que o dia do pleito se aproxima, dessa vez parece haver um açodamento de fundo fascista em que "tudo pode, só não vale perder". 

As denúncias de abuso de poder e uso das instituições públicas transbordam. 

De longe, fica a impressão de que o núcleo duro do Governo está autorizado a jogar tudo na reta final, inclusive mandando às favas os escrúpulos. 

Para quem gosta de "propagar" os pré-requisitos da "nova política", tudo isso parece coisa que remonta os tempos da República Velha e as práticas de Horácio de Mattos (alô, alô, historiadores). 

A chamada "reserva moral" do tucanato está constrangida com os fatos sabidos - muitos que ainda não chegaram à imprensa - e tentam isentar o governador Reinaldo, apontando na direção do Chefe da Casa Civil, Sérgio de Paula, e Carlos Alberto Assis, Coordenador da campanha de Rose Modesto. 

"Eles fazem as coisas sem conhecimento do governador, com total autonomia", comentam. 

Bem, se for assim, é mais grave ainda porque demonstra que Azambuja perdeu o controle de seu Governo.

É lamentável.

Reportagem da Folha de S.Paulo O ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda Antonio Palocci (PT) foi preso temporariamente na manhã desta...


Reportagem da Folha de S.Paulo

O ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda Antonio Palocci (PT) foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato, em São Paulo.

A nova fase da operação, intitulada Omertà, investiga indícios de uma relação criminosa entre o ex-ministro e a empreiteira Odebrecht.

O juiz federal Sergio Moro decretou o bloqueio de bens de Palocci e de outros acusados até o valor de R$ 128 milhões. Segundo o magistrado, esse é o montante indicado em planilha que supostamente registra os valores de propina que estavam sob a gestão do ex-ministro. A medida atinge contas e investimentos bancários dos investigados. Desse total, Palocci teria recebido R$ 6 milhões.

No despacho de prisão de Palocci, assinado no último dia 12, o juiz federal Sergio Moro afirma que há provas de que Palocci coordenou o repasse de propinas da Odebrecht para o PT.

A edição desta segunda-feira do jornal Correio do Estado traz na manchete a última pesquisa IPEMS sobre as eleições de Campo Grande....



A edição desta segunda-feira do jornal Correio do Estado traz na manchete a última pesquisa IPEMS sobre as eleições de Campo Grande. Marquinhos Trad segue na frente (40,2%), avançando 5 pontos em relação à pesquisa anterior do mesmo instituto. 

Rose Modesto (26%) indica pequena recuada (embora dentro da margem de erro) e Bernal cai um pouco (12%), cerca de 3 pontos, também na margem de erro, que representa 4 pontos para cima ou para baixo. 

O cenário apresentado indica que Trad pode vencer no primeiro turno se conseguir dar uma arrancada de mais 5 pontos, algo em torno de 10 a 15 mil votos, até o próximo domingo. 

Como previsto, algo que pode acontecer, caso ele permaneça sendo beneficiado pela onda que foi criada nos últimos dias de que a disputa poderá decidida em apenas um turno. 

Nesse sentido, o debate público vai se tornar mais acirrado em torno desse tema. 

É difícil apostar, a não ser que os indecisos (em torno de 12% do eleitorado) descarregue parcela expressiva dos votos no possível vencedor. 

São muitas variáveis em torno das expectativas a serem cristalizadas nos próximos dias. 

O Governo - com sua máquina - tentará certamente criar um "fato novo" para mudar os votos a seu favor. 

Bernal - com sua máquina - poderá reagir para tentar chegar ao segundo turno, apostando no desgaste de Rose Modesto. 

Marquinhos - aparentemente jogando apenas com seu cacife eleitoral - terá que manter as coisas como estão - sem marola - para vencer na primeira rodada. 

Seus adversários, certamente, tentarão criar obstáculos com o famoso "jogo pesado", no qual a força do dinheiro tem peso específico. 

E, assim, a mídia e as redes sociais entrarão em convulsão, divididas em torno da pergunta emblemática: haverá um ou dois turnos?







Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo. Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva, três filhos criados é a personage...


Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo.


Clara, 65 anos, jornalista aposentada, viúva, três filhos criados é a personagem central desse filme. Mora em um apartamento no segundo andar de um edifício dos anos 50, defronte ao mar da praia de Boa Viagem, ponto nobre do Recife.

Foi lá que ela viveu boa parte de sua vida. Criou os filhos, enfrentou um câncer de mama e a viuvez. Vive rodeada de sua biblioteca e da farta coleção de discos de vinil, além do piano.

Todos os apartamentos do edifício foram adquiridos por um incorporador imobiliário que pretende erguer uma torre, provavelmente de gosto arquitetônico discutível.

Para Clara, sua memória não tem preço. Morrerá no edifício Aquarius.

Os filmes de Kleber Mendonça Filho escancaram as contradições da sociedade brasileira. Em "Aquarius" descreve com precisão minha classe social: os 5% mais ricos da sociedade que se consideram classe média.

Na maioria dos países, a aposentadoria é um período de ajustes e contenção, sobretudo para quem teve vida profissional mediana, afinal, não é comum aposentadoria com salário integral.

Por que Clara não vende seu apartamento aproveitando as condições favoráveis, podendo constituir reserva adicional para a velhice? Ainda mais, um apartamento de tamanho que já não é mais necessário, afinal os filhos já saíram do ninho.

Em países socialmente mais justos, uma pessoa com o histórico de vida de Clara venderia o apartamento por um bom preço ou o trocaria por um ou dois na nova torre.

Clara é aposentada, provavelmente no teto do INSS, e recebe a pensão do marido, que, imagino eu, é de professor titular da UFPE, ou algo equivalente. Nas regras brasileiras, exclusividade nossa, Clara pode acumular seu próprio benefício com o do marido.

Clara tem, além do imóvel no Aquarius, quatro outros apartamentos. Possivelmente herdou alguns e adquiriu um ou dois. A compra tanto dos herdados quanto dos por ela adquiridos deve ter sido financiada pelo finado Banco Nacional de Habitação (BNH). 

A hiperinflação brasileira reduziu significativamente o saldo devedor dos apartamentos e, pagou-se pelos imóveis muito menos do que custaram à sociedade. A ausência de correção da dívida foi cortesia de políticos demagogos. A diferença foi para a viúva na forma do Fundo de Compensações de Variações Salariais (FCVS), que até hoje pesa nas contas do Tesouro.

Assim, um conjunto imenso de distorções explica o poder de barganha de Clara.

Ela é capaz de enfrentar empresários gananciosos e barrar um empreendimento que geraria: aumento de apartamentos em Boa Viagem; renda para os empreendedores; renda para os ex-moradores do Aquarius que esperam o fim do negócio para receber parcela final da venda; e aumento significativo de IPTU para a prefeitura. Sem falar dos empregos e da renda durante a construção e vários depois dela.

Claro que a soma de nossas distorções –que resultam, entre outras, no gasto de 13% do PIB com aposentadoria e pensões, quando pela nossa estrutura demográfica deveríamos gastar 5%– é importante causa do baixo crescimento econômico. O setor público não tem recursos para financiar a construção da infraestrutura física e social do país, incluindo, entre outros tantos setores, o de saneamento básico.

O baixo crescimento econômico, por sua vez, torna o início da vida profissional das novas gerações muito difícil. Clara está sempre disposta a ajudar os filhos. Será que o Honda Fit da filha foi comprado com o dinheiro da mãe? 

* Formado em física e doutor em economia pela USP e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. 
Tecnologia do Blogger.